Como nascem as lendas do pop
26 - Junho - 2009
Contribuição de Bianca Tinoco

Hey, Ho! Let me go!
Então tá, morreu Michael Jackson. Chora Caetano, chora Madonna, daqui a pouco até Lula vai lançar nota oficial dizendo que está se debulhando. Com todo respeito aos fãs fiéis de carteirinha e pôster na parede (talvez os únicos a quem este texto não se dirige), ora tenham santa paciência. Não cola, viu? Não cola um Bom dia, Brasil dedicado praticamente todo à morte de uma única pessoa, com direito a clipe de imagens ao som da lamentosa e linda Ben (quando foi a última vez que vocês viram isso? Tentei puxar pela memória, e o que veio de mais recente foi o 11 de setembro, mas aí não foi uma morte só). Não cola todo mundo agora dizendo que era fã e que não esperava pelo fim repentino do cantor. E sabem por quê? Porque Michael Jackson já tinha morrido artisticamente há uns 10 anos pelo menos.
Lágrimas de crocodilo para vender jornais, anúncios de TV ou uma imagem pop não me convencem, sorry. Até semana passada, pelo que eu via na MTV, o atual rei do pop era o Justin Timberlake, não? E Jackson era o suspeito de pedofilia que estava tentando voltar à ativa, de forma um tanto deprimente e, para pagar as dívidas astronômicas geradas por seus caprichos, cirurgias e tratamentos de saúde. Era o excêntrico que usava máscara cirúrgica muito antes da gripe suína e aparecia na imprensa simulando jogar da janela do hotel seus bebês de barriga de aluguel . Era uma figura, reconheçamos, ridícula. Daquela que gerava risinhos entre constrangidos e sádicos quando se perguntava no trabalho ou no bar “E o Michael Jackson, hein…” Nas últimas fotos que vi de relance, eu sempre achava que era um dos Ramones, com aquele rosto branco, óculos escuros, o cabelo preto e liso despenteado.
Daí agora ficam milhões se lamentando, americanos que vão sempre se lembrar de onde estavam quando Jackson morreu, “the day the music died”. Onde estavam todas essas pessoas quando o cara precisou? Fora a venda recorde de ingressos para a série de shows em Londres, não vi nenhuma grande manifestação mundial pró-Jackson, especialmente quando ele foi acusado de molestar meninos na mansão Neverland (novamente, exceção feita aos fãs de carteirinha, que adoram o astro de modo messiânico e interpretam as canções dele como mensagens para o amor, um mundo melhor etc etc). Parafraseando o Lúcio, que sempre puxa um sambinha para suas argumentações, “se alguém quiser fazer por mim / que faça agora”, devia pensar o Sr. Jackson em seu isolamento no Bahrein, para onde se mudou em 2005 para fugir dos escândalos em seu país – atualmente, o príncipe do Bahrein o estava processando por quebra contratual.
Mas o astro pop morreu, e tanto faz as dívidas que deixou para os filhos ou quantos garotinhos molestou (o que será que os meninos e as famílias deles pensam desse enfoque da imprensa mundial?). Saiu da vida para entrar no olimpo, de mãos dadas com Andy Warhol – pobre Farrah Fawcett, ficou em segundo plano. Tudo bem, Off the wall é fenomenal, Thriller também, e nunca alguém venderá álbuns musicais como Jackson – até porque, álbuns musicais também não existem mais. Graças à morte repentina, a onda de revival dos anos 80, que já estava esfriando, vai durar mais um ano, regada a Billy Jean e passos de moonwalker. Ai…
Por falar na série de shows em Londres, que supostamente salvariam as contas de Jackson e cujos ensaios acabaram por levá-lo a dores musculares mortais, sinceramente, Deus foi o melhor empresário que ele poderia ter. Impediu-o de pagar o mico que Elvis cometeu em sua fase jotalhão vestido de macacão dourado, ou que mais recentemente Axl Rose cometeu (tudo bem, não se compara a Jackson e Elvis). Ou alguém pensou que ele recuperaria em três meses o vigor que Madonna conservou em 30 anos de dura malhação? Nessa historinha, Madonna escolheu ser a formiga, e Jackson, a cigarra travestida de Peter Pan. Havia 99% de chances de que a turnê dele fosse uma decepção desconcertante, com escala para Las Vegas garantida. A morte dele nos poupou de cenas deprimentes, ainda que o gosto nostálgico de alguns insistisse nessa visão.
Fique entendido aqui que admiro as canções de Michael Jackson, o talento que ele apresentou até meados dos anos 1980, e acho estrondosa a influência que esta fase exerce sobre toda a produção de R&B até hoje. Mas, comparado a esses momentos em que realmente brilhou, o Jackson de hoje era apenas uma múmia – andava, falava, mas artisticamente só faltava ser sepultado. Agora terá essa honra, com muito choro e vela.
Mas, múmia ou não, eu quero ver o caixão aberto durante o funeral, por mais que a imagem não seja agradável. Nada de, daqui a três meses, algum sacana aparecer com a lenda “Michael está vivo!” Ah não, de novo não. Que ele descanse em paz, com os louros de uma bela carreira, dos quais há tanto tempo já vivia.
Perguntinha final: se os gays viram purpurina, os astros pop, o que viram?
<div class='snap_preview'><h4><span style="color:#008080;">Cláudia Lamego</span></h4>
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1.
Ubeda | 30 - Junho - 2009 at 20:35
Acho que no caso do Michael Jackson… ele também vira purpurina.
2.
matheus | 14 - Setembro - 2009 at 1:39
oo justin Timberlake nunka foi o rei do pop -.-’
sempre foi o michael seu BURRO ! onde voce viu qe ele era rei do pop ? procura em qualquer lugar se duvidar até hoje ainda não é
e outra oo cara foi o cara e quem é vose pra falar deli ? que eu saiiba ninguem né ;P