O banco de areia

4 - Setembro - 2009

Luciana Gondim

Perdera o emprego, não tinha namorado, as amigas estavam todas ocupadas com suas crianças. Mãe e pai estavam mortos, sem dívidas acumuladas, a casa recém-decorada. Estava perto dos 40, metade da vida ainda por gastar. Deu duas voltas na Avenida Rio Branco, desviando-se dos pedestres e das buzinas. Fincou o banquinho na altura da estação da Carioca. Vendeu os primeiros dez minutos para um operário do metrô que precisava cochilar. Em seguida ofertou meia hora para uma secretária que perdera a hora do almoço discutindo com a operadora de celular. Cinco minutos mais tarde havia uma fila de centenas de trabalhadores: uma hora para ir ao banco, por favor, duas para o dentista, três para ver a liquidação, quatro para o amor clandestino com a colega de trabalho. Alguns barganharam seis horas para ir à praia, outros preferiam adquirir dez dias para brincar com seus filhos ou um mês para dormir sem hora para acordar. Um casal comprou um ano inteirinho para dar a volta ao mundo. Ao final de dois dias, o banquinho amanheceu vazio e em paz.

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6 Comments Add your own

  • 1. marton  |  4 - Setembro - 2009 at 1:12

    Muito bom moça.
    Tenho um no meu blog, “PassaTempo” que “versa” sobre o mesmo tema…
    Se tiver tempo passa lá.
    Ou então, procura o homem do banco… :)

  • 2. Gisele Maia  |  4 - Setembro - 2009 at 1:18

    Lu, todas as vezes que te leio fico me perguntando por que você não escreve todos os dias da sua vida.

    Lindo, lindo, lindo.

    Beijos de amiga-fã

  • 3. lucianagondim  |  4 - Setembro - 2009 at 1:20

    Olá! Vc é o Marton do Contos do Rio 2008??? Vou ver lá! Vlw pela visita! :)

  • 4. marton  |  4 - Setembro - 2009 at 1:29

    Sim, sou eu.
    Temos até foto juntos (rs)
    To te seguindo no Twitter e tenho te lido aqui.
    Bom hein??

    bjs!

  • 5. l.c  |  7 - Setembro - 2009 at 11:42

    Lu, adoro a forma simples e envolvente que vc escreve.

  • 6. Olívia Bandeira  |  8 - Setembro - 2009 at 19:19

    Que lindo, Lu. Reflete o tempo em que vivemos e estimula sensações conflitantes: angústia e conforto ao mesmo tempo.
    Beijos!

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