Não deixe o FEBEAPA morrer – A terceirização fede….
24 - fevereiro - 2010 at 12:55 Lúcio Mello 2 comentários
Este texto é sobre a arte de trabalhar no serviço público
Vocês se lembram ou já ouviram falar do clássico da crônica brasileira, o Festival de Besteiras que assolam o País (que ficou bacaninha na sigla FEBEAPA)? Pois é. Às vezes, me vêem à memória as histórias deste clássico que retrata com ironia a essência da alma brasileira.
Nele, o cronista Stanislaw Ponte Preta mostra algumas idiossincrasias do serviço público brasileiro como os desmandos autoritários de algumas chefias e o descaso e “corpo mole” dos subordinados em famosas crônicas que já se tornaram um clássico.
Uma delas é a dos dois leões que fugiram do Zoológico e são recapturados: o primeiro, magro cadavérico, depois de três dias de angustias, fome e medo na Floresta da Tijuca e o segundo, depois de seis meses, gordo e preguiçoso, que havia se escondido em uma repartição pública e comia um funcionário por dia. “Uma moleza, segundo o segundo (uma “cacofoniazinha” só pra prender sua atenção, leitor), ao que o primeiro, morrendo de fome perguntou: ” e por que você foi preso?”, prontamente respondido: “cometi um erro fatal, matei a senhora do cafezinho; sentiram a falta dela e me acharam”.
O mesmo Stanislaw, quando este era ainda Sergio Porto e apenas um funcionário CONCURSADO do Banco do Brasil tem uma história curiosa sobre o serviço público. Trata-se do episódio em que este cidadão, responsável pelo atendimento de caixa da primeira instituição financeira brasileira, solicitou ao chefe que se fosse retirada as grades que separavam os funcionários dos clientes. Ele prontamente recebeu a resposta burocrática que o chefe nada podia fazer pois as grades eram patrimônio público, feitas nos anos 20, em “Art Deco” (ou algum desses gêneros cheios de rococó). Ao receber a resposta Sergio Porto acatou e colou em seu guichê (hoje funcionário público se chama servidor público e tem baia ou workstation…) a inscrição: “Por favor, não alimente os animais”.
Hoje me lembrei muito dele e de como gostaria de ter a capacidade de utilizar o humor para por o dedo na ferida . Chego ao trabalho e encontro os funcionários terceirizados da limpeza e serviços gerais em silencioso protesto por estarem TRÊS MESES SEM RECEBER!!! Como consequência direta, os sanitários estão impraticáveis.
Sergio Porto não viveu para ver a vida do serviço público em Brasília, com suas melhoras e, porque não, suas pioras. Ele não viveu pra ver o império dos consultores internacionais e a terceirização. As contradições continuam, apesar do inegável avanço e requalificação da máquina pública, mas, o FEBEAPÀ ainda tem sua força… Poderia continuar escrevendo sobre, mas a realidade chega ao meu nariz . A terceirização, na microfísica do poder do meu entorno, fede….
Entry filed under: 14326. Tags: .
2 Comentários Add your own
Deixe uma resposta
Enviar trackback para este post | Subscribe to the comments via RSS Feed
1.
Olívia Bandeira | 24 - fevereiro - 2010 às 14:28
Que bom ver as teias de aranha deste blog serem limpas com este post delicioso. Valeu, tio Lúcio!
2.
Daniela ALmeida | 26 - abril - 2010 às 11:34
Quem usa o termo Febeapa, até hoje, são meus pais. Confesso que estou tentando fazer parte deste mundo de servidores públicos…rs