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Liberais, pero no mucho

Fernando Miragaya

Hoje, ao caminhar distraído pelas quentes ruas do Maracanã me deparo com a manchete alarmista: “Lula estimula mais consumo e produtos começam a faltar”. Obviamente, fiquei por alguns segundos estático para entender o que acontece com o abastecimento no país. Falta arroz? O feijão desapareceu das prateleiras? Não tem mais leite?

Rapidamente esboço um sorriso ao ler o restante da manchete. Fui até conferir mesmo se era O Globo o jornal o qual eu estava lendo, porque mais parecia uma chamada de capa do extinto Planeta Diário. A apocalíptica manchete dizia que faltava, vejam só: ar-condicionado, ventilador, sorvete e refrigerante.

Realmente, deve ser grave a crise. E deve ser pior ainda fazer parte de um país onde não se pode trocar o ar da sala ou beber um guaraná gelado na beira da praia. E pior! Vai faltar Häagen-Dazs no Leblon!!!

Mas vem cá? A lógica do capitalismo não é estimular o consumo? Vivemos em uma sociedade onde as pessoas são estimuladas exaustivamente a comprar, comprar, comprar… Quer dizer, agora comprar, comprar e comprar não é legal. Faz mal para economia e põe por terra aquele papo de geração de empregos e tributos. E os mensageiros do apocalipse já pregam volta de inflação e turbilhões no universo do crédito fácil.

Ou seja, os maias estavam certos. Sem ar-condicionado, picolé, coca-cola e ventilador, o mundo não passa de 2012 mesmo…

Add comment 26 - Novembro - 2009

No país das maravilhas…

Fernando Miragaya

Curioso o momento em que o STF cassa a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Surge exatamente em um momento onde o poderoso senador José Sarney se vê acuado por denúncias de irregularidades na Casa. Em um momento onde o Presidente da República defende o dono do Maranhão e acusa os meios de comunicação de “denuncismo”.

A questão da cassação do diploma vai além da questão do piso salarial. É claro que abre precedentes para donos de veículos de comunicação desvalorizarem ainda mais o já desvalorizado trabalho dos jornalistas no país e derrubarem o piso, que, aliás, jamais foi respeitado e obedecido. É uma questão de manipulação. Afinal, um não formado vai chegar em um jornal, rádio, televisão, site ou revista achando que sua função consiste apenas em noticiar o fato e pronto. Jamais vai entender as relações de poderes que se escondem por trás dos meios de comunicação. Vai ser um instrumento fácil de manipulação política e econômica. E tampouco vai ter qualquer noção de ética. Ética tão defendida pelo excelentíssimo Gilmar Mendes em sua decisão no STF.

Mas como o excelentíssimo ministro citado acima – o mesmo que fez vista grossa para a privatização da Vale do Rio Doce – vive debaixo de sua toga em uma sala confortável no cerrado, não tem ideia do que seja a realidade das redações. Não tem noção do que seja a profissão de jornalista. Ou a de cozinheiro, de motorista, engenheiro. Aliás, não sabe o que é a realidade deste país de desigualdades e contradições. Vive em seu mundinho particular e fantasioso do STF.

Enquanto isso, no Senado…

2 comments 18 - Junho - 2009

Colômbia sem estereótipos – Parte zero

Bogotá

Bogotá

Fernando Miragaya

* enviado especial

Foram quase 3 mil km rodados pelas estradas de pista simples colombianas, com motoristas, motociclistas e caminhoneiros sem qualquer apego à vida no trânsito. Sem estereótipos, durante 13 dias eu e Luciana nos deparamos com um país muito, mas muito parecido com o Brasil

As estradas são margeadas por cidadezinhas, chamados de pueblos, algumas muito miseráveis. Miséria que o Uribe faz questão de esconder. No entanto, o fato de ter colocado as Farcs, Paramilitares e traficantes para se pegarem no sul do país (onde não existem indicações sobre estradas ou detalhes de cidades nos mapas), fazem dele um presidente admirável. O curioso é o discurso, principalmente de quem mora na cosmopolita Bogotá, de que Uribe é Deus e Hugo Chávez e Rafael Correa são os capetas.
(mais…)

2 comments 28 - Maio - 2009

É para sua proteção

Fernando Miragaya

Eldorado dos Carajás teve o mesmo triste fim que milhares de crimes que assolam diariamente esse país sob diversas formas. E o mesmo desenrolar. Uma polícia despreparada atirou à queima roupa contra Sem Terras no Sul do Pará, que os atacavam com facões e foices. Saldo: 19 mortes, sendo 10 com requintes de execução – segundo o laudo da época – e até hoje nenhum condenado. Nesses 13 anos, as autoridades continuam atirando à queima roupa no cidadão. Seja através da polícia que entra metralhando uma favela, seja através de uma política agrária inerte, seja através de um programa habitacional pífio, seja através de vigilantes dando açoitadas com apitos em trabalhadores esmagados em um trem.

Há pouco tempo, correu um e-mail em power point com um filho questionando o pai sobre uma manifestação do MST. Além de só faltar uma suástica no fim da apresentação do arquivo, o e-mail evidencia como parte da sociedade brasileira é preconceituosa, mesquinha e egocêntrica. Preocupa-se com o rádio do carro que lhe foi roubado e afirma que o governo cede rádios, comida e outros favores para uma turma que mora em barracas e não teve a metade das oportunidades que seus filhos tiveram devido às desigualdades milenares de nossa sociedade. Ao mesmo tempo, trata movimentos sociais sob os estereótipos de baderna e vandalismo, estigma propagandeado de forma eficaz pela turma de generais aventureiros que dominou esse país por mais de duas décadas.

É esse tipo de postura que aplaude o Capitão Nascimento, a política de enfrentamento do Beltrame e o genocídio em Eldorado dos Carajás. É esse tipo de postura que expande o Appertheid social do país. Um abismo que dificilmente vai trazer a paz sonhada pelos seus medíocres espectadores.

4 comments 17 - Abril - 2009

Passado nebuloso

Esse fuma

Fernando Miragaya

O fumo cresceu no mundo e no Brasil associado a imagens vencedoras. Seja de virilidade, com o cowboy ianque do Marlboro, seja de esportividade, como nos anúncios do Hollywood, de esperteza, com a “Lei de Gérson” no Vila Rica, e até de aventura, como o bigodudo do Camel (que mais parecia o MacGyver e só faltava acender cigarro submerso no pântano abraçado a um jacaré). Os publicitários do tabaco também recorriam a uma aura yuppie para vender o Free ou à aspiração burguesa para emplacar o Carlton. Tudo isso alardeado anos a fio em jornais, revistas, emissoras de rádios e de TV, outdoors e painéis sob a complacência do Governo.

Os malefícios da nicotina à saúde já são conhecidos há tempos. Mas as campanhas contra o fumo só tiveram início na segunda metade dos anos 90. Antes disso, foram décadas de propagandas enaltecendo este poder que o fumante obtém queimando papel entre os dedos. Mas o Governo quer acabar com essa praga que provoca 200 mil mortes anuais, de acordo com dados do Inca – Instituto Nacional do Câncer –, na base da pressão e do sopetão. Agora, São Paulo baixou uma norma que proíbe o fumo até mesmo em lugares reservados em prédios, condomínios, bares e locais públicos.

Em outras palavras, deixaram a mídia encher a cabeça do sujeito de ilusões em um país onde é proibido sonhar para depois tratá-lo como marginal. O cara daqui a pouco só vai ter permissão para acender seu cigarro em casa ou na rua. As campanhas são válidas. Afinal, o número de fumantes diminuiu 40% nos últimos 20 anos, segundo o mesmo Inca. Mas mesmo com tanta gente morrendo ou parando de dar umas tragadas, ainda temos quase 40 milhões de fumantes no país. E basta ir a qualquer concentração de adolescentes e jovens para ver que a maioria já fuma.

Como sempre, no Brasil, tudo é na base da marra. Rotular o fumante quase como um bandido não vai resolver o problema do tabagismo no país. Vai apenas criar um Appertheid da Nicotina. Quem fuma ou já fumou sabe o quanto é difícil largar o maldito cigarrinho. E também sabe que, na base da pressão, não resolve. Aumentar a ansiedade e a sensação de rejeição no fumante pode ser um tiro no pé.

O Governo, por sua vez, deveria ampliar campanhas deste tipo nas escolas, para conscientizar as futuras gerações. E poderia ser mais incisivo na educação do trânsito nas escolas também, para evitar que 35 mil pessoas continuem morrendo todo ano em ruas e estradas brasileiras. Ou, ainda, combater que as futuras gerações se entupam de gorduras trans e saturadas comendo no Mc Donald’s ou no Bob’s.

A pessoa que não fuma não tem nada com isso, é verdade. É a menos culpada, por sinal, e realmente deve ser protegida da fumaça. Mas também deveria ser protegida das indústrias químicas e de celulose que assassinam rios. Ou da descarga de ônibus, carros e caminhões mal conservados que jogam no ar toda sorte de poluentes, como hidrocarbonetos, monóxido de carbono, óxido de nitrogênio e diversos materiais particulados. Só que o Estado escolhe bem os vilões da sociedade.

6 comments 8 - Abril - 2009

Apologia da crise

Fernando Miragaya

Entre um jornal, um programa de rádio e uma olhada na televisão, cada vez mais tenho a impressão de que uma perseguição ao barbudo já extrapola os limites do bom senso. Tudo bem que nosso governo está longe de ser ideal, social e democrático. Tudo bem que qualquer admiração pelo barbudo escorreu pelo cerrado há tempos. Mas o bombardeio ao sujeito já não obedece mais qualquer critério.

Vejamos. No fim do ano passado os especialistas de plantão esperneavam que o governo demorava a agir, que o consumo ia diminuir, que o desemprego ia aumentar. Pois bem, uma das canetadas do Planalto reduziu tributação em cima de determinados produtos industrializados, como os automóveis.

O resultado é que janeiro teve fila de espera para comprar carro e março deve ser o melhor março da história da indústria automobilística. Só que agora, o pessoal reclama que a arrecadação do governo diminuiu com a redução do IPI. Isso porque, antes da crise, os mesmos criticavam que a União arrecada demais…

Outro dia, ironizaram mais uma das metáforas dispensáveis do barbudo. Parece que ele tinha dito que a crise era loura e de olhos azuis. E dá-lhe especialista apontando banqueiros internacionais responsáveis pelo colapso financeiro que têm cabelo preto (!!!). Será que é preciso desenhar?

Depois, a lamúria geral foi para o fato de o Brasil prever um crescimento de 5% do PIB este ano. Em um cenário apocalíptico que se desenha e onde países da Europa devem registrar retração do PIB, não é um dado positivo?

Implicância, falta de percepção, crítica gratuita, rabugice… Peço licença ao Russo, mas, reclamam demais por não ter do que reclamar.

10 comments 2 - Abril - 2009

Os muros

adeus-lenin-011

Fernando Miragaya

Aproveito como gancho a análise da minha escritora predileta abaixo para tratar de outros filmes que me chamaram muito a atenção esses dias. Ambos os longas metragens não são novos, tampouco tenho qualquer talento para ser crítico de cinema. Mas Adeus Lenin! e Machuca me mostraram, no meu singelo, resumido e tosco conhecimento cinematográfico, que é possível fazer um filme de cunho social e político com sensibilidade. E o melhor, sem ser piegas, forçar qualquer patrulhamento ideológico ou mesmo ser panfletário.

Adeus Lenin!, do alemão Wolfgang Becker, conta a história de um alemão oriental cuja mãe, uma idealista e ferrenha defensora dos
ideais socialistas da RDA, entra em coma. A mulher só acorda meses depois da queda do Muro de Berlim e da “reunificação” do país. O rapaz, então, lança mão de uma série de situações inusitadas para que a progenitora não descubra que uma Alemanha socialista não existe mais.

machuca1
Machuca, de Andrés Wood, por sua vez, se passa no Chile da Era Allende às vésperas da crise política que serviu de pretexto para o generaleco tomar o poder. Relata a tentativa do governo de socializar de forma prática e democrática a educação, colocando meninos de comunidades paupérrimas em uma escola cristã burguesa. A amizade entre dois meninos é até clichê: o rico e o pobre. Mas a relação é abordada sem sentimentalismo barato.

O bacana é que as duas produções evidenciam os muros sociais que se perpetuam na nossa vidinha fútil e neoliberal. Na Alemanha de Adeus Lenin!, ao tentar “poupar” a mãe, o jovem alemão oriental tenta, na verdade, resgatar o melhor que havia de seu antigo
país e, desta forma, minimizar a existência do muro que ainda persiste em Berlim. O lado oriental paga menos por habitação. Mas também tem mais dificuldades de conseguir emprego e ganha menos que os ocidentais.

É igual ao muro que existe entre o garoto rico e o garoto pobre de Machuca. Igual ao muro que separa o México dos Estados Unidos, que separa a Rocinha do Leblon. E que não caem com os finais felizes hollywoodianos.

2 comments 9 - Fevereiro - 2009

Cartão mágico

Fernando Miragaya

Litoral pernambucano, sol escaldante de maio em alguma cidadezinha perdida entre o sul de Pernambuco e o norte de Alagoas. Como insisto em sair dos roteiros estabelecidos pelos eventos, pego uma estradinha de terra e paro em uma birosca para beber uma água. E na minha mania quase compulsiva de “forasteiro curioso” de puxar conversa com os “nativos”, tento entender o que se passa naquele lugarejo para lá de humilde.

Confesso que nem me lembro o nome do lugar. Mas recordo muito bem a expressão enrugada de Arnaldo, o dono da birosca. Do tipo caladão, só consegui arrancar conversa daquele senhor com aparência cansada e a pele bronzeada por anos exposta ao sol graças, é claro, ao futebol. Ao avistar uma flâmula do Fluminense ao lado da do Náutico na parede verde, não pensei duas vezes e emendei minha paixão tricolor carregada no sotaque chiado carioca.

Com o rosto entediado ainda de frente para o nada, Arnaldo apenas virou os olhos até me encontrar encostado no balcão e desandou a falar da Máquina Tricolor. Foi a deixa para começarmos uma longa conversa, que, rapidamente, saiu do futebol. Em poucos minutos, Arnaldo fez um resumo de sua vida, mostrou fotos da família, trouxe uma camisa tricolor desbotada e me mostrou o seu “negócio”.

Foi aí que observei que nos fundos da birosca havia uma espécie de mercearia. “Foi presente do Inácio”, disse ele, enquanto eu observava a pequena lojnha com uma meia dúzia de variedades de frutas, algumas diversidades de verduras e sacos de arroz, feijão e farinha, todos da mesma marca.

Quando idealizava o tal Inácio como uma pessoa generosa e mais “abastada” no meio daquela simplicidade pungente, surge o sorriso vazio de “Tia” Maria das Dores. Odeio colocar “seu” e “dona” para me referir a pessoas, mas tomei a liberdade de chamar a velha senhora de uns 50 anos de “tia” devido à quantidade de crianças que a saudavam desta forma.

Falante, Tia Maria pegava os sacos de arroz, feijão e uma lata de óleo com o entusiasmo de um consumista fútil na Daslu. Me ofereci para ajudar a carregar algumas das compras enquanto ela se dirigia ao Arnaldo. Desenrolou a sacola plástica azul e no meio de um porta-documentos de algum candidato a vereador com sua identidade lavada pelo tempo e com fotos amareladas do que deveriam ser seus netos, pegou cuidadosamente o cartão dentro de um outro plástico como se estivesse retirando a farpa do pé de um daqueles moleques descalços que a chamavam de Tia.

Com o sorriso ainda mais vazio, sussurrou com ironia que aquele cartão era “mágico”. “Fez comida aparecer lá em casa”, brincou. A comida, na verdade, era a palavra mágica na boca ressecada daquela senhora, que me contava as agruras que passou desde a infância. “Por muito tempo, foi sopa de nada e farinha com água”, confidenciou, enquanto eu interrompia um gole de água com culpa pela minha barriga protuberante de tanto comer porcaria.

O marido vivia de poucos bicos em lavouras de latifúndios de cidades vizinhas que mal davam para chegar a três dígitos de renda mensal. Seis filhos ainda vivos e os 13 netos (“eu acho que são 13…”) foram tentar a sorte nas redondezas, enquanto sobraram mais três bocas para alimentar em sua casa. Bocas que depois de muito tempo conheceram o arroz e o feijão da Tia Maria.

“De vez em quando vem a molecada da vizinhança comer também”, fez questão de ressaltar a orgulhosa senhora. Arnaldo, embrulhava os mantimentos tão animado quanto a freguesa e lhe devolvia o cartão mágico. “Vem almoçar também meu filho. Tem lugar para mais um”. Confesso que fiquei com água na boca para provar o arroz e feijão da Tia Maria. Mas o impiedoso ponteiro no meu pulso me alertou que estava atrasado, muito atrasado. Me despedi de Arnaldo, de Tia Maria, dos “sobrinhos” da Tia Maria, do presente do Inácio, das flâmulas do Timbu e do Tricolor com toda a sorte de sentimentos.

Lembrei do episódio para escrever isso tudo apenas para entender a saraivada de críticas nos jornais, na televisão e no rádio ao Governo Federal pela ampliação do Bolsa Família. Também acho que trata-se de programa populista, eleitoreiro e assistencialista. Concordo com isso tudo. Mas é fácil, muito fácil, concordar depois de tomar café da manhã.

4 comments 29 - Janeiro - 2009

Sem essa!

rio2016

Fernando Miragaya

Que me desculpem os ufanistas, nacionalistas e positivistas de plantão, mas vaiei e continuarei vaiando mais uma candidatura estúpida do Rio para sediar os Jogos Olímpicos. Sem aquele discurso minimalista de que “temos coisas mais importantes para investir”. Acho que o esporte merece investimento e é uma ferramenta importante de inclusão social, vide o exemplo de Cuba, uma ilhota que planta bananas, massacrada por um impiedoso boicote das forças imperialistas mundiais, mas que frequentemente conquista mais medalhas que a gente em qualquer evento esportivo.

No Brasil, tudo é trampolim ou oportunidade para aparecer ao lado do presidente na foto. Que o diga uma Olimpíada. Qual o verdadeiro intuito de trazer um evento deste porte para o Brasil? Fomentar o esporte? Divulgar a cidade? Sem essa. O objetivo é tirar casquinha política ao máximo. Falaram tanto do legado que o Pan deixaria para a cidade. O que nos restou dos jogos? As vilas olímpicas são um esboço do que poderiam ser, a prática de esportes continua resumida a futebol na maioria das escolas públicas. Na parte urbanística e da infra-estrutura, então… onde está o metrô até a Barra? Os investimentos em transporte público e vias públicas? A despoluição das lagoas?

Nosso ex-prefeito bobalhão, como sempre, falou, tomou para si o discurso de homem do Pan e nada fez. Continuou a governar (?) por blog. E nada farão o playboy da Barra e os próximos cabeças de candidaturas deste tipo. E nada fazem e farão os organizadores da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, outro projeto insano, corrupto e político orquestrado por mafiosos da CBF em conluio com a Fifa.

O que esperar de um país e uma cidade onde um jogo de 10 mil pessoas no Maracanã causa transtornos do outro lado da cidade, na Zona Sul? Onde um sujeito não consegue comprar ingresso para um jogo, mas os cambistas têm vários a seu dispor nas barbas da PM? Onde não há ônibus, lanchonete, cerveja, banheiro, água no local dos jogos?

Essa onda de nacionalismos sustentados por histriônicos locutores de televisão cansou. Impressionante é como abafa a farsa que é este país, que é esta candidatura. Pelo bem desse país, não podemos sediar Copa do Mundo nem Olimpíadas. Ou continuaremos sendo uma farsa em forma de Estado.

Por isso, Rio 2016, NÃO! Eu acredito!

10 comments 15 - Janeiro - 2009

Tropas de que elite?

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Fernando Miragaya

Sempre questionei a existência da Guarda Municipal no Rio de Janeiro, principalmente pela sua serventia. Criada em 1993, logo após a posse do prefeito factóide e blogueiro, a corporação tinha como proposta ser uma força de segurança comunitária para “proteger bens, serviços e instalações municipais”. Até hoje, porém, não sei o que protege, tampouco no que nos serve.

A Guarda parece a ONU. Tem farda, vende imagem de imponência, baixa normas e tem poder teórico de intervenção. Mas não muda nada. A ONU fala que os Estados Unidos não podem invadir o Afeganistão e o Iraque e que Israel deve parar de atacar a Faixa de Gaza. Os dois países, para variar, ignoram quaisquer medidas das Nações Unidas. A Guarda Municipal diz que vai coibir pitbulls sem focinheira e estacionamentos de carros na calçada, mas os infratores não dão a mínima. Isso quando os donos não largam seus cães para cima dos agentes ou uma família enfurecida cobre um guarda de tabefes.
19511
Ambas também sabem ser violentas. A Guarda adora mostrar poder e baixar o cacetete em camelôs sob o olhar complacente da PM. Países de vez em quando invadem outros sob a bandeira de uma força de paz da ONU, mas também cometem abusos que são abafados pela União Européia.

A Guarda Municipal aplica multas no trânsito. Mas não orienta o trânsito. Da mesma forma que a ONU autoriza embargos econômicos nocivos contra Iraque e Coréia do Norte. Jamais garantiu, contudo, qualquer tipo de paz. Medidas superficiais que não mudam comportamentos, idéias, posturas.

A Guarda Municipal do Rio tem mais de 5 mil agentes nas ruas. A ONU diz ter mais de 9 mil funcionários em Gaza. E continuo a me perguntar todo os dias após um passeio pela cidade ou depois de ler os jornais: para que?

2 comments 9 - Janeiro - 2009

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