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Caroço Vídeo!

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Marcelo Valle

Este ano o Festival audiovisual “Visões Periféricas” criou a mostra Tamojuntoemisturado com a proposta de exibir vídeos produzidos com webcams, máquinas fotográficas que filmam, telefones celulares e tudo o mais que for possível e imaginável e caiba dentro do conceito de audiovisual (uffa!). Os vídeos estão disponíveis para visualização no site do festival e existe um espaço para votação on-line, onde o público escolhe as melhores produções. A mostra se propõe apresentar o que essas “maquininhas” são capazes de fazer, tanto para democratizar a produção quanto para renovar a linguagem. Um representante desse digníssimo Caroço está concorrendo, vale conferir e votar!
http://www.visoesperifericas.org.br/filme/de_volta_pra_casa-6.html

Add comment 9 - Julho - 2009

Pra não deixar esquecer…

Thaís e Michele, Acampamento Oziel Alves,1999

Thaís e Michele, Acampamento Oziel Alves,1999


Marcelo Valle

No dia 17 de Abril de 1996 cerca de 1500 trabalhadores rurais sem terra ocuparam a rodovia PA-150, próximo ao vilarejo de Eldorado dos Carajás no Pará. A ocupação era um protesto contra a demora do governo federal no processo de assentamento das famílias na Fazenda Macaxeira. Nesse mesmo dia, por volta das 15h30 um grupo de 96 policias liderados pelo major Oliveira posicionou-se em um dos lados da estrada, uma hora depois, chegou mais um grupo de 85 homens, liderados pelo coronel Pantoja, posicionando-se do outro lado da estrada, encurralando os manifestantes. Passado algum tempo começa um tiroteio onde morreram “oficialmente” 19 trabalhadores.

“O massacre, segundo várias testemunhas, começou com a execução do deficiente mental José Amâncio Rodrigues dos Santos, o primeiro sem terra a tombar. Amâncio era surdo e mudo, ao ver a formação do coronel Pantoja à sua frente – e por ser incapaz de ouvir os tiros que os militares já disparavam para o alto – investiu contra alguns policiais e foi derrubado a golpes de cassetetes e coronhadas. Caído, recebeu três tiros. O laudo necróspsico de Amâncio, realizado pelo Instituto Médico Legal Renato Chaves, de Marabá, revela três cortes de aproximadamente 8 centímetros cada um na cabeça, resultantes dos golpes que recebeu, e um projétil alojado no cérebro, causa da morte. Ao ver o companheiro morto pela tropa do coronel Pantoja, os sem terra avançam sobre os militares com paus e pedras. Alguns policiais são atingidos e recua uma dezena de metros, para logo avançarem novamente, dessa vez disparando rajadas de metralhadora.
Do outro extremo da pista, ao comando do major Oliveira, os policiais disparam à vontade. Em pânico, encurralados, os sem terra correm para os lados, procurando se refugiar às margens da rodovia”

O trecho acima foi retirado da Revista “Caros Amigos, Especial Número 5″ , lançada em novembro de 1999. O texto que segue abaixo foi retirado do “Caroço”, uma velha publicação produzida por alunos de jornalismo da UFF no final dos anos 90:
Uma estrada estreita de chão batido, antes margeada pelo imenso canavial, agora corta o acampamento Oziel Alves, em que hoje vivem cerca de 240 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST. Por essa estrada circulam crianças que brincam de pião , bolinha de gude e bambolê; circulam trabalhadores da terra, homens e mulheres; circulam velhos que ainda buscam seu pedaço de chão. Quem passa por ali avista ao longe as três chaminés da falida Usina Cambaíba, um complexo de sete fazendas, todas voltadas exclusivamente para plantio de cana de açúcar. A monocultura que se estendia por uma área total de 3500 hectares começa a ceder espaço aos pequenos roçados de caráter provisório onde se plantam milho, feijão, abóbora, mandioca, quiabo, tomate, beringela, alface, cenoura, couve, repolho, beterraba, e belos girassóis.
A maioria das barracas se concentra na Fazenda Nossa Senhora das Dores as margens da rodovia…

2 comments 17 - Abril - 2009

Alegria de pobre dura pouco

Leo Cosendey

Amigos leitores,

Como um dos administradores deste blog, cumpro com o difícil dever de informá-los de que ele está com seus dias contados. Eu e a Deia, minha companheira na função, recebemos, na manhã de hoje, um e-mail do WordPress (que hospeda O CAROÇO) informando que, a partir da próxima semana, o serviço deixará de ser gratuito, passando a custar US$ 29,99 por mês, mais US$ 1,99 por post publicado — já que é um blog, segundo eles, “de baixa circulação”. É claro que eles prometem mil melhoras no serviço, mas será que vale a pena? Achamos que não. Por isso, aproveitamos esta última semana grátis para anunciar a nossos leitores que, em breve, mudaremos mais uma vez de endereço. Ainda não sabemos para onde iremos, mas tenham certeza de que iremos. Não vai ser a tal crise mundial que vai nos abater.

15 comments 1 - Abril - 2009


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