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Mc Donald
Gustavo Monteiro

McDonald tá com nada
McDonald vai fechar
McDonald tá com nada
McDonald vai fechar
McDonald não tem pamonha
McDonald não tem curau
McDonald não tem cuzcuz
Credo em cruz
Credo em cruz
Credo em cruz
Credo em cruz
Seja bem natural
Desfrutar da poesia
Deleitar nossos valores
Nossa terra tem primores
Dia e noite, noite e dia
E tem tem tem
E se plantando tudo dá
McDonald indo embora
Leva junto a coca cola
E vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Esse é o Mc Donalds segundo a maravilhosa Cia. Carroça de Mamulengos, que fará sua última apresentação hoje no Teatro Nelson Rodrigues (Caixa Cultural), às 16h. O espetáculo, que é uma grande brincadeira, reúne números de circo e muita música popular, protagonizados pela incrível família Gomide. Segundo eles mesmos se definem, “o grupo trabalha há mais de 30 anos pela preservação dos elementos que caracterizam as festas e folguedos brasileiros, apresentando espetáculos elaborados a partir de vivências profundas com mestres e brincantes tradicionais de diversas regiões do país”. Levem seus filhos. É emocionante.
Serviço
Histórias de Teatro e de Circo
Teatro Nelson Rodrigues – Av. Chile, 230 – Centro (Rio)
Última apresentação: 12/04
Horário: 16h
Ingresso: R$ 10
www.carrocademamulengos.com.br
4 comments 12 - Abril - 2009
Passado nebuloso

Fernando Miragaya
O fumo cresceu no mundo e no Brasil associado a imagens vencedoras. Seja de virilidade, com o cowboy ianque do Marlboro, seja de esportividade, como nos anúncios do Hollywood, de esperteza, com a “Lei de Gérson” no Vila Rica, e até de aventura, como o bigodudo do Camel (que mais parecia o MacGyver e só faltava acender cigarro submerso no pântano abraçado a um jacaré). Os publicitários do tabaco também recorriam a uma aura yuppie para vender o Free ou à aspiração burguesa para emplacar o Carlton. Tudo isso alardeado anos a fio em jornais, revistas, emissoras de rádios e de TV, outdoors e painéis sob a complacência do Governo.
Os malefícios da nicotina à saúde já são conhecidos há tempos. Mas as campanhas contra o fumo só tiveram início na segunda metade dos anos 90. Antes disso, foram décadas de propagandas enaltecendo este poder que o fumante obtém queimando papel entre os dedos. Mas o Governo quer acabar com essa praga que provoca 200 mil mortes anuais, de acordo com dados do Inca – Instituto Nacional do Câncer –, na base da pressão e do sopetão. Agora, São Paulo baixou uma norma que proíbe o fumo até mesmo em lugares reservados em prédios, condomínios, bares e locais públicos.
Em outras palavras, deixaram a mídia encher a cabeça do sujeito de ilusões em um país onde é proibido sonhar para depois tratá-lo como marginal. O cara daqui a pouco só vai ter permissão para acender seu cigarro em casa ou na rua. As campanhas são válidas. Afinal, o número de fumantes diminuiu 40% nos últimos 20 anos, segundo o mesmo Inca. Mas mesmo com tanta gente morrendo ou parando de dar umas tragadas, ainda temos quase 40 milhões de fumantes no país. E basta ir a qualquer concentração de adolescentes e jovens para ver que a maioria já fuma.
Como sempre, no Brasil, tudo é na base da marra. Rotular o fumante quase como um bandido não vai resolver o problema do tabagismo no país. Vai apenas criar um Appertheid da Nicotina. Quem fuma ou já fumou sabe o quanto é difícil largar o maldito cigarrinho. E também sabe que, na base da pressão, não resolve. Aumentar a ansiedade e a sensação de rejeição no fumante pode ser um tiro no pé.
O Governo, por sua vez, deveria ampliar campanhas deste tipo nas escolas, para conscientizar as futuras gerações. E poderia ser mais incisivo na educação do trânsito nas escolas também, para evitar que 35 mil pessoas continuem morrendo todo ano em ruas e estradas brasileiras. Ou, ainda, combater que as futuras gerações se entupam de gorduras trans e saturadas comendo no Mc Donald’s ou no Bob’s.
A pessoa que não fuma não tem nada com isso, é verdade. É a menos culpada, por sinal, e realmente deve ser protegida da fumaça. Mas também deveria ser protegida das indústrias químicas e de celulose que assassinam rios. Ou da descarga de ônibus, carros e caminhões mal conservados que jogam no ar toda sorte de poluentes, como hidrocarbonetos, monóxido de carbono, óxido de nitrogênio e diversos materiais particulados. Só que o Estado escolhe bem os vilões da sociedade.
6 comments 8 - Abril - 2009
3 minutos de Internet – Spam! Spam! Spam!
Luciana Gondim
Algumas palavras chegam sem que a gente perceba, se apoderam de nossa língua e brotam em infinitas ondas preguiçosas, antes que o cérebro as alcance. Logo nos acostumamos a elas e as repercutimos em rotineiro cacoete, criando um rastro de não entendimento.
A palavra “Spam”, usada como referência ao lixo eletrônico não solicitado enviado em massa, é uma delas. Tive a grata recente surpresa de descobrir, em ocioso exercício semântico da web, que esse termo – que ouvimos, escrevemos e falamos pelo menos dez vezes ao dia – teve origem em uma cozinha!
Spam é, na verdade, a marca de uma carne prensada “com tudo dentro”, no estilo Mc Donalds, vendida originariamente nos Estados Unidos e logo depois na Europa. A sigla quer dizer “Standard Processed American Meat”, e a marca ficou conhecida pelo péssimo sabor do enlatado e pela catastrófica propaganda. Nos comerciais criados para o lançamento, a palavra “Spam” era repetida cinco vezes por segundo, o que causou enjôo geral e transformou a carne prensada em uma das expressões de Internet mais utilizadas em todo o mundo.
8 comments 7 - Abril - 2009
A dieta do palhaço nas ruas
Luciana Gondim

Diante da possibilidade de proibição definitiva da venda casada de brinquedos e comida gordurosa, realizada pelas redes de fast food McDonalds, Burger King e Bobs, noticiada dois posts abaixo, O Caroço foi às ruas para ouvir as principais vítimas / beneficiários dessa decisão do Ministério Público Federal de São Paulo: as crianças.
Nossa reportagem ouviu três consumidores infantis, nascidos no ano de 2002, de diferentes áreas da pirâmide social e da cidade do Rio. Incomodamos nossos pequenos entrevistados com a pergunta: “O que você faria se não tivesse mais brinquedo no McDonalds?”.
Chyntia Camilo, carioca, filha de Marcos e Sandra Camilo, estudante da segunda série do ensino fundamental, moradora de um apartamento em área nobre no Leblon, respondeu:
“Nem no Mc Donalds da Disney ia ter mais brinquedo? É que se tiver lá, meu pai compra quando voltar do trabalho, ou espero chegar as férias e compro tudo de uma vez. Lá os brindes são mais legais”.
Emendamos a pergunta: “E para comer? Você não gosta dos hambúrgueres e da batata-frita do McDonalds?”.
“Prefiro comer cone. Japonês é muito mais gostoso”.
Matheus Paiva, carioca, filho de Paulo e Tatiana Paiva, estudante da segunda série do ensino fundamental, morador de um apartamento de classe média na Tijuca, foi o nosso segundo entrevistado. Diante da mesma pergunta, Matheus ficou na dúvida:
“Se não tiver brinquedo, vai ter o que? Nem a caixinha do Mc Lanche Feliz vai ter mais? Por quê?”.
Bruno Santos, carioca, filho de Roberto e Bete Santos, estudante da primeira série do ensino fundamental, morador de um apartamento na Cruzada São Sebastião, não hesitou diante da pergunta:
“Ué, aí eu comia hambúrguer, batata-frita, sorvete…”.
3 comments 6 - Março - 2009
Dieta do palhaço
Luciana Gondim

O Ministério Público Federal de São Paulo recomendou que as redes de fast food McDonalds, Burger King e Bobs suspendam a venda promocional de brinquedos em suas lanchonetes. As empresas têm 10 dias, a partir de hoje, para dar resposta. Como estratégia para convencer o público infantil a consumir comidas gordurosas e refrigerantes, as redes associam personagens de desenhos animados ao lanche.
5 comments 4 - Março - 2009