Posts TaggedRio de Janeiro

Programa para um fim de semana chuvoso no Rio

Luciana Gondim

HOUDON

Nada melhor para um fim de semana chuvoso. O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, está com três exposições imperdíveis (e de graça no domingo!).

Comece pelas dezenove obras de arte de Jean Antoine Houdon (1741-1828), do acervo do Museu do Louvre. Com delicadeza e extrema riqueza de detalhes, Houdon retratou personagens do século XVIII, dentre eles Mirabeau, Condorcet, Rousseau, Voltaire e Diderot. Uma instalação em tamanho real, produzida a partir da imagem do quadro “L´Atelier de Houdon”, de Louis-Leopold Boilly, reconstitui o ambiente no qual o artista elaborava suas obras. Para quem prefere um contato mais interativo com a obra, há réplicas das esculturas de Houdon em um espaço anexo à exposição, que podem ser tocadas.
Alguns passos depois, surpreenda-se com o olhar de Pierre Verger sobre a região de Andaluzia. A exposição “Andaluzia 1935 – A Ressurreição da memória – fotos de Pierre Verger” apresenta setenta fotografias inéditas da região de Andaluzia, Espanha, tiradas por Verger em 1935, antes de começar suas pesquisas sobre as culturas africanas.

Para encerrar a visita, a colorida exposição “Cartazes da Guerra – 1936 –1939”, na sala ao lado, retrata em 95 cartazes a Guerra Civil Espanhola, com testemunhos das mensagens e idéias republicanas. Os cartazes expostos no MHN integram uma coleção de dois mil itens, formada ao longo dos anos pela Fundação espanhola Pablo Iglesias, e foram selecionados para propiciarem uma mostra da variedade dos temas, dos artistas e editoras e das tendências artísticas abordadas pelos cartazes da época da guerra civil espanhola.

SERVIÇO:
De 29 de abril a 5 de julho:
Exposição “Tesouros do Louvre: Esculturas de Houdon”

De 4 de junho a 2 de agosto:
Exposição “Cartazes da Guerra – 1936 – 1939”

De 4 de junho a 2 de agosto:
Exposição “Andaluzia 1935 – A Ressurreição da memória – fotos de Pierre Verger”

MUSEU HISTÓRICO NACIONALPraça Marechal Âncora s/nº Centro
Próximo à Praça XV – Rio de Janeiro RJ
Tel: 21.25509224 / 25509220

Horários :
De 3ª a 6ª feira, das 10h às 17h30m
Fechado às 2ª feiras
Sábados, Domingos e Feriados – das 14:00h às 18:00 h

Add comment 12 - Junho - 2009

Dando trabalho para todos

Leo Cosendey

favelamurocompleto

3 comments 15 - Abril - 2009

O que há de errado na platéia?

Olívia Bandeira de Melo

O telão da direita mostra uma sala de teatro com poltronas vermelhas, poucas delas ocupadas por comportados espectadores. No lado esquerdo, outro telão mostra o que parece um bar, onde homens de terno ou camisa social e mulheres de preto circulam, se juntam, riem, voltam a se sentar e bebem cerveja. No primeiro telão, uma moça de vestido cinza anota alguma coisa num caderninho azul. Um homem ao lado dela comenta, em português: “Olha como as pessoas são felizes em Londres!”, referindo-se à imagem que aparece no telão da esquerda.

Atrás dos telões, um homem e uma mulher estão sentados numa mesa. No palco, as luzes estão apagadas. Eles são atores, a princípio não começaram a atuar, mas a peça já começou. Ela acontece nos telões, o da direita mostra a sala de teatro do Oi Futuro, no Rio de Janeiro, o da esquerda mostra o Soho Theather Bar, em Londres, e nós, a platéia londrina e a carioca, incluindo eu, de vestido cinza e caderninho azul, somos parte dela.

A moça atrás de mim dá tchau no telão brasileiro. Um grupo sentado na mesa do fundo do bar responde com acenos no telão inglês. Ela teve a mesma idéia que passou pela minha cabeça quando recebi o convite para ver a peça: se tivesse tido tempo, poderia ter convidado minha amiga Andréa, que mora em Londres e é colaboradora-fundadora deste blog, para participar da peça comigo, eu no Oi Futuro e ela no Soho Bar.

19h. A porta do teatro brasileiro se fecha. Os produtores já tinham avisado que a peça começaria na hora, pois “os britânicos são pontuais” e, como a peça acontece no Rio e em Londres ao mesmo tempo, a pontualidade britânica seria a chave do sincronismo. Pura ilusão dos produtores. A peça havia começado dez minutos atrás.

Os telões alternam imagens dos atores nos palcos inglês e brasileiro e imagens das platéias. De repente, um inglês da platéia coloca uma cartaz em frente à câmera com os dizeres “Hello, Tania Grillo, tudo bem?”. A fria platéia carioca intimida Tania Grillo, que está atrás de mim, e ela não consegue responder. A peça prossegue.

What´s wrong with the world? faz parte do projeto ://Play_on_Earth_series, realizado pelas companhias teatrais Phila7 (com sede física no Brasil) e Station House Opera (com sede física na Inglaterra). Vale a pena participar dessa experiência, sem acreditar, como diz a diretora do Oi Futuro, que “tentar propor novas relações palco/platéia, novas formas dramatúrgicas e novos diálogos com o que acontece no mundo é o que se espera do teatro do século XXI”. Espera-se isso também, mas não é a tecnologia em si e nem só ela que dará novos contornos ao teatro.

Em certo momento, um dos atores brasileiros explica sua função nessa experiência que é, acima de tudo, tecnológica, de como a tecnologia reconfigura noções de tempo e espaço: “A minha função nesse momento – se é que o momento existe – é entretê-los. Fazê-los confundir os fatos, se é que os fatos existem”. Mas a platéia brasileira não entrou na viagem. Ao fim do espetáculo, o telão brasileiro exibia bater de palmas constrangidos, em contraste com os gritos e aplausos do telão londrino.

A platéia brasileira constrangeu minha experiência, assim como a de Tania Grillo. Saio da sala, mas Tania continua lá, na platéia vazia, e agora sim toma coragem, joga beijos, pula e dá tchau para seus amigos londrinos.

P.E. (pequenas epifanias): Depois do teatro, quando chegava ao Largo do Machado para pegar um ônibus para Niterói, avistei o 996, ao longe, se preparando para sair do ponto. Corri como uma maluca e consegui entrar no veículo lotado. Qual não foi minha surpresa ao encontrar minha amiga Andressa, que também escreverá nesse blog, sentadinha no chão do ônibus. Ela me revelou: “Já tinha chegado no ponto há muito tempo, perdi o primeiro ônibus que passou e pensei que foi o destino, o ônibus que perdi iria explodir ou eu encontraria alguém no segundo ônibus”. Resultado, uma ótima conversa, que continuou na minha casa, até as onze da noite.

12 comments 26 - Abril - 2008


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