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Um, dois, três… testando!
Gisele Maia
Momento metablogagem: acabo de testar o novo recurso do wordpress, a postagem por e-mail, ou celular. Basta ir no painel, clicar em “meus blogs”, ativar o “post by e-mail” e um código-endereço é gerado. Ótimo brinquedinho pra quem não pode acessar certas páginas do trabalho, dá pra mandar tudo pelo e-mail profissional e o chefe nem vai ver. Dá pra postar fotos também, elas são automaticamente transformadas em tumbnails. Se tiver mais de uma, o wordpress cria uma galeria. Não é sensacional?
Só não dá pra inserir tag ou selecionar categoria. Seria demais.
5 comments 14 - Maio - 2009
Guernica 3D – Picasso na era digital
Lucas Bandeira
Estamos acostumados a adaptações de romances para o cinema, de peças para a ópera, até de exposições para suítes musicais (como a maravilhosa Pictures at an exhibition, de Modest Mussorgsky, em que o compositor simula um passeio pela exposição de Viktor Hartmann; aqui, por exemplo, as “Catacombes“).
Nesses casos, é claro, quando muda o suporte ou “a arte”, é criada uma nova obra de arte. Mas e quando uma especialista em computação gráfica nos permite caminhar entre as figuras destroçadas de Guernica, painel de Pablo Picasso “sobre” (entre diversas aspas) o bombardeio à cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola?
Primeiro, vamos ao vídeo, produzido em 2008, em que passeamos pela representação em três dimensões do quadro, produzida por Lena Gieseke:
Primeiro, é inegável, mesmo para quem é purista, que o efeito é incrível, a imersão na obra é deliciosa e angustiante. Mas também é muito infiel à obra, sem no entanto abandoná-la por um momento. É infiel porque acaba com o grande efeito do painel, que é a simultaneidade. Picasso nos mostra ao mesmo tempo os fantasmas e destroços da humanidade produzidos pela guerra. Na reprodução 3D, o que salta são os detalhes, o olhar desesperado, uma forma monstruosa, não a totalidade.
A própria autora (ou artista) da representação pergunta se é uma nova obra ou apenas uma maneira de explorar a Guernica, e eu não consigo outra resposta a não ser: é e não é uma nova obra. Com a palavra, Gieseke:
Meu modelo é uma reconstrução verdadeira da pintura de Picasso, ou apenas uma revisualização grosseira? Ainda é a arte de Picasso ou, pela minha adição da terceira dimensão, tornou-se algo completamente diferente? Não é meu papel responder a essas questões nem determinar a relação entre minha reprodução tridimensional e a pintura original.
Arte ou não, seu valor começa ao aproximar a tecnologia da arte, sem didatismo, hermetismo ou euforia.
5 comments 9 - Fevereiro - 2009
O leitor
Anônimo
Sou o leitor perpétuo. Uma máquina de leitura e comentário, de leitura e de cliques e de teclas. Para mim não há barreiras, idioma, cultura, assunto, absorvo qualquer coisa. E a cada tela sou uma pessoa diferente. Sou apenas o leitor, mas meu nome muda nas caixas de comentários. Assumo várias identidades para argumentar, mostrar que o leitor tem voz, que não é nunca passivo.
Quando falo de literatura, me visto de Leitor Voraz. Quando o site é sobre política, sou o Anti-Bush. Também já me travesti de Myrna para fingir que sou um escritor. Não importa que o Leitor Voraz não combine com o Anti-Bush e que o conto da Myrna seja odiado pelo Leitor, que a Myrna, por sua vez, acha pedante. O que importa é que cada nome me dá acesso a outros sites. Um cantor costuma endereçar posts para mim. Começa com “Heitor, tudo bem”. Mas esse Heitor é só mais uma máscara para minha leitura. E eu vou ganhando relevância (alguns me odeiam, outros me adoram, outros adoram um dos meus nomes mas odeiam os outros).
Sou o leitor com autoridade. Sou o leitor mais feliz do mundo. Sou o leitor total. Sou o leitor que aboliu as últimas fronteiras da vergonha da contradição. Sou o leitor infiel.
Em mim, a utopia se realiza: sou a identidade anônima, o poder sem corpo, a certeza de um post que ignora a contradição da história pessoal (eu não sou mais uma pessoa). Sou só mais um grito murmurado.
(Um textinho-cabeça a contragosto, porque aqui não é lugar para isso. Mas foi mais forte que eu. Peço desculpas aos caroços por hackear o blog e incluir esta minha confissão.)
Add comment 5 - Dezembro - 2008
