Chega de saudade

14 - agosto - 2008 at 21:12 23 comentários

“João Gilberto: show esgotado em 1h”, ô manchete infeliz.


A fila para comprar entradas para o único show que João Gilberto faz no Rio, dia 24, começou a se formar de madrugada, por volta das 4h de hoje, quinta-feira, na bilheteria do Teatro Municipal. A aglomeração dava a volta pela Avenida 13 de Maio quando o dia finalmente amanheceu. É, meus caros, o fim de noite foi longo…

A bilheteria abriu às 10h e os primeiros da fila ficaram decepcionados: apesar de caros, quase não havia mais ingressos para platéia, balcão nobre e camarotes, os melhores da casa. Apenas cerca de 60% dos 2.350 lugares foram postos à disposição dos fãs. O restante, 40%, está sendo distribuído a convidados do patrocinador, do artista, da produção, da assessoria de imprensa…enfim.

No guichê, as vendas foram encerradas às 13h15. Quem optou por comprar pela internet e pelo telefone teve menos tempo ainda: apenas uma hora. Às 11h, o endereço eletrônico que dava acesso à página relativa ao show no site de venda de ingressos Ticketronics foi retirado do ar.

Acho tudo isso uma falta de respeito, mas o João é assim, um cara difícil, e a entourage se escora nisso. Mesmo assim, motivada pela oportunidade histórica de ver o mito da Bossa-Nova, o cara que eternizou uma das músicas que mais me tocaram, Chega de saudade, resolvi desembolsar uma grana que eu não tenho e me preparar para comprar as tais entradas.

Acordei, depois de quase não dormir, às 4h. Enrolei um pouco e fui pro chuveiro 4h20. Bem, sem detalhes. Cheguei às 5h na fila e uma galera tava se organizando pra evitar cambistas e furadores de fila, amigos dos amigos que vão chegar daqui a pouco, etc etc. Eu era a 47ª. Deus.

Aos poucos conhecidos, amigos e figurinhas repetidas iam chegando e aumentando o tamanho da fila. Acompanhada de um amigo, Rodrigo de Almeida – ilustre cearense com quem eu, alías, deveria beber mais vezes – abri a primeira cerveja às 6h30. Ok, parece cedo, mas era muito programa de índio ficar ali, sentado no chão, em umas folhas de jornal cedidas por uma menina simpática.

Quando dia finalmente raiou, trouxe consigo a confusão. Era gente saindo da fila, sendo substituído por outrem, e esse trazia mais um e garantia que ele não ia comprar. O povo chiou, queria manter a ordem e o direito de quem madrugou e de quem não madrugou mas nutria esperanças de conseguir uma entrada.

A maior parte das pessoas tinha entre 20 e 35 anos. Imaginava-se que uma parcela mais grisalha ocuparia boa parte da linha de gente enfileirada na porta do Municipal, mas não. João ainda desperta um grande fascínio nos mais jovens, gente que, como eu, sabe que esta será a única oportunidade de vê-lo, no banquinho, tocar seu violão.

Apesar do perrengue grau 8, me diverti horrores na fila, coloquei o papo em dia, comi pão de queijo. Tinha levado um livro para ler mas sequer o abri. Meu amigo me convenceu que miséria pouca é bobagem. Então, em vez de pagar 120 pratas pelo ingresso de balcão simples, estava decidida a pagar, sem pena, 350 por um de platéia.

Aí veio a aflição. A decepção. A frustração e a raiva de estar ali havia 5h e saber, pelos primeiros que saíram da bilheteria, fagueiros com seus pares de ingressos na mão, que não havia entradas para platéia. Nem camarotes. Nem balcão nobre. Ou seja. teria de me contentar com balcão simples. Looonge a beça pra ouvir os sussurros de João. Mais tarde acabei sabendo que apenas 1400 ingressos dos 2.350 lugares foram colocados à venda. Fiquei com vontade de enviar um email esculhambando os organizadores e o patrocinador. Mas desisti. Melhor evitar o estresse pois tenho de aproveitar esse show desde agora.
O amigo que me acompanhava na fila disse que sou mesmo sortuda. Na hora em que estava começando a pagar pelo par de ingressos balcão simples láááá atráás, a mocinha inmformou: “senhora, apareceu um par na platéia. vai querer? 700 reais?” eu confirmei automaticamente. E saí feliz, por fim. Ao chegar no trabalho, muita gente criticou, dizendo que não valia todo o esforço nem o dinheiro. Mas sabem, não tô nem aí. Chega de saudade.
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23 Comentários Add your own

  • 1. Cláudia Lamego  |  14 - agosto - 2008 às 22:06

    Nique, você pagou 700 reais? Meu Deus!!!
    Esse amigo não foi o Pedro Paulo? 🙂
    Conta mais: teve música na fila, não teve? E o velhinho que fez as capas da Elenco, ele estava lá, não é? Você viu?

  • 2. Deia Vazquez  |  15 - agosto - 2008 às 8:14

    Eu entendi que pagou 700 por dois ingressos. Ainda assim…quanto eh mesmo a renda minima?
    Absurdo,absurdo. E acho que ninguem deveria suportar isso, por mais que seja fa.

  • 3. rob  |  15 - agosto - 2008 às 11:19

    Claro que valeu! Eu também me diverti horrores! Faria tudo de novo. Agora, cerveja às 6h30?? E eu só no Todinho… Beijos, Rob.

  • 4. Luciana Gondim  |  15 - agosto - 2008 às 12:38

    Adorei, Nique. Para paixão, não se mede esforços. Quantas vezes viramos madrugada para bater matéria? Quantos 700 reais foram perdidos em objetos que mal lembramos? Muito bem empregado esse seu esforço. Aproveite o show e depois escreva sobre ele para a gente.

  • 5. l.c grazinoli  |  15 - agosto - 2008 às 15:02

    Monique,

    Você é das minhas.
    Pagou alto mas pagou feliz e no fim felicidade não tem preço.(sem clichê).

    Bom show

  • 6. Anonymous  |  15 - agosto - 2008 às 17:47

    O melhor desse blog é que ele é super besteirol, só tem abobrinhas! Abs, Tunico.

  • 7. A digestora metanóica  |  15 - agosto - 2008 às 18:28

    Definitivamente eu me irrito só de ler. Óbvio que os patrocinadores vão continuar fazendo isso. Afinal, existem muitas pessoas com dinheiro suficiente e pacividade demais.

    Não, por enquanto não me disponho a brigar com patrocinadores, fazer barulho, levantar bandeiras e gritar a minha indignação. Mas meu silêncio se afina com a minha já antiga resolução de nunca dar um centavo pra incentivar essa merda toda.

    É… perdi a oportunidade única de ver o João Gilberto no seu banquinho… mas também não vi os Beatles nem o Frank Sinatra e tenho vivido muito bem com isso, há 27 anos.

  • 8. Deia Vazquez  |  15 - agosto - 2008 às 20:16

    Adoro quando rola uma polemica, uns leitores rebeldes. Tunico, volte sempre. Demais, que bom que temos opinioes tao distintas – assim a vida tem mais graca.

  • 9. Olívia Bandeira de Melo  |  15 - agosto - 2008 às 20:42

    Gisele, concordo totalmente com você. E o pior é pensar que a nova moda, no Brasil, são shows a preços absurdos, com filas absurdas, e tudo bancado com dinheiro público, via lei Rouanet.

    No João Gilberto não iria mesmo, mas me recusei a pagar 180 reais pra ver o Chico, 130 pra ver a Adriana Calcanhoto e assim por diante.

    Aliás, a Calcanhoto me irritou profundamente, numa entrevista, quando disse que solicitou aos seus afortunados pagantes que não levassem presentes para ela (sim, os fãs estavam com essa mania durante o show da Partimpim, como faziam com a Xuxa Meneguel), mas levassem brinquedos que seriam doados para crianças pobres.

    Ou seja, as crianças pobres recebem os brinquedos usados da platéia da Partimpim, mas não têm a oportunidade de vê-la no palco.

    Beijos e protestos!

  • 10. Monique Cardoso  |  15 - agosto - 2008 às 21:14

    o show do joão gilberto não tem incentivos fiscais, para informação da platéia. é dinheiro do itaú, que lucra investindo a poupança de seus correntistas. só pra acrescentar informação.

    o amigo pedro paulo ficou depois da esquina e estava no foco da confusão. conversei bastante com ele no começo, mas como não podia ficar saindo da fila.

  • 11. Cláudia Lamego  |  16 - agosto - 2008 às 2:45

    Ora, só porque não vi o Noel, vou abrir mão de ver o Chico? Esse argumento, Gi, não entendi. Você gosta tanto do João Gilberto assim?

    Lili, que pena que você não vai por protesto. Perde grandes shows. Eu não fui ao Partimpim por falta de uma criança que justificasse. Não vi o último Ney por falta de dinheiro.

    Critico, mas não deixo de ver as coisas que gosto – quando posso pagar.

    Olha, sobre o salário mínimo, vamos combinar uma coisa: quanto gastamos com vestidos, comidas em restaurantes, cds, livros, viagens? Se temos para pagar, e queremos muito, por que não?

    Ah, deixa eu ir ali tomar uma champanhe na minha taça de cristal nova pra comemorar meu ingresso na última fila do balcão simples!!!!

  • 12. Pedro Paulo Malta  |  16 - agosto - 2008 às 3:10

    Nique,

    Pior é bater boca com cambista e ter que ouvir do cara insinuações do tipo “Cuidado, que a gente tem um modo próprio de trabalhar” (ou seja, aqui a lei somos nós).

    Isso porque o sujeito queria enfiar os “sobrinhos” na fila (“Trabalhamos na mesma firma”) e esperava que todo mundo fosse ficar quieto. Na primeira reclamação, resolveu se fazer de vítima: “É preconceito de cor, é porque eu sou humilde…” Cacete.

    Pilantragem com chantagem emocional depois de horas de fila é foda. Mas deu pr’agüentar…

    Beijos,
    PP

  • 13. Olívia Bandeira de Melo  |  16 - agosto - 2008 às 19:23

    Clau, não quis ir ao show do João Gilberto não foi por protesto. Como disse a Nique, este não foi bancado pela lei Rouanet. Mas acho mesmo muito caro, tô sem grana, e o João não é dos meus artistas favoritos.

    Mas acho mesmo um absurdo e perco totalmente a vontade de ir a espetáculos caríssimos e bancados com dinheiro público. Aliás, muitos artistas me deixam muito decepcionada toda vez que se calam diante dessa situação, toda vez que aparecem na mídia reclamando da meia entrada, dos ingressos a preço popular, etc.

    Mas tô reclamando de que, né? Quem sou eu pra reclamar? Nada vai mudar, a vida é assim, é melhor me conformar. Né não?

  • 14. A digestora metanóica  |  16 - agosto - 2008 às 23:30

    Clau, meu argumento foi ironia. Não gosto tanto assim do João Gilberto, mas amo o Chico e me recusei a ir.

    Pra mim, não se trata de questionar a forma como as pessoas gastam dinheiro, se tomam champagne que foi avaliado em 100 pontos pelo Robert Parker. Estou falando de uma situação muito específica, de um contexto viciado e indigno. E vou continuar deixando de assistir a shows incrííiiiiveis, porque a minha forma de protesto, silenciosa e solitária, é não pagar quando me sinto insultada e não quero abrir mão disso. Da mesma forma que fiz uma campanha na vizinhança para usar Internet a rádio, de uma empresa pequena, em vez de ficar mendigando serviço decente para a Telemar. Me recuso a acreditar que somos tão impotentes assim. Meu dinheiro, pelo menos, não vão levar assim.

    Voltando a coisa do show, por acaso minha irmã acabou de me contar que está chateada porque não viu a tempo o anúncio pra venda dos ingressos pro show da Madonna em Asmterdam que a amiga comprou por 59 euros. Madonna. Em Amsterdam. 59 euros. É isso mesmo.

    Em suma, estou puta porque essas afetações do Rio de Janeiro me obrigam a gastar dinheiro em Paris.

    Beijos

  • 15. Cláudia Lamego  |  18 - agosto - 2008 às 17:30

    Lili, não me referi ao show do João Gilberto. Mas a outros que você deixou ou deixará de ver para fazer protesto.
    Ok, devemos gritar, falar mal, nunca perder o senso crítico. Mas, se gostamos muito, acho que vale a pena. Assim como pagamos caro por uma roupa que estamos vendo que é um absurdo, mas que a gente simplesmente acha que será impossível viver sem ela.
    Gi, estamos no terceiro mundo. Não se trata de afetação do Rio. Pagamos mais caro por absolutamente tudo! Aliás, mesmo aqui há diferenças. Uma mensalidade de natação na zona sul é um preço, na zona norte é outro, em niterói é outro.
    Assim como a Madonna é mais barato lá, os perfumes também são. O que fazemos nós? Deixamos de consumir ou viajamos e damos uma paradinha no free shop pra comprar?
    Eu é que não vou deixar de ver o meu maior ídolo vivo (Chico) porque sou obrigada a subvencionar ingresso pra estudante, entre outras coisas. Mas aí é opinião de cada um, né?

  • 16. Olívia Bandeira de Melo  |  18 - agosto - 2008 às 17:41

    Clau, as roupas não são subsidiadas com dinheiro público. E o Chico Buarque, diferentemente do perfume francês, é brasileiro.
    Beijos!

  • 17. l.c grazinoli  |  19 - agosto - 2008 às 15:50

    Eu acho que esse post foi a síntese do patrulhamento.
    Se a Monique pagou 10 mil reais por algo que ela queria, o problema é unico e exclusivo dela.

    Sei lá ando meio impaciente com patrulhamentos, ainda mais no que diz respeito as escolhas individuais das pessoas. Ela escolheu comprar o que lhe agradava e ponto, nao prejudicou ninguem.

  • 18. Digital Ninja Martinez  |  19 - agosto - 2008 às 16:19

    Pagou barato..

    Eu pagava até mais.

    Nunca vi o JG..

    Parabéns.

  • 19. Cláudia Lamego  |  19 - agosto - 2008 às 23:00

    Lili, mas elas custam muito mais do que deveriam, e são descartáveis.
    Chico Buarque é muito melhor que perfume francês. Vale muito mais, portanto, pago mais para vê-lo.

    L.C, não acho que seja patrulhamento. Não estamos criticando a Monique, mas um esquema que não nos parece justo. Eu não acho que seja justo pagar pela meia-entrada de estudantes que têm condições de pagar ingresso. Nem que o Teatro Municipal desrespeite quem vá pra fila às 5h, reservando os melhores lugares para os convidados dos patrocinadores. A Lili é contra pagar caro para ver um show patrocinado com dinheiro da Lei Rouanet. A Gi se abstém de ir a um show aqui pelo absurdo preço do ingresso, comparando os nossos preços aos de shows no exterior. E a Nique está feliz porque verá João Gilberto. Eu estou feliz porque ganhei o ingresso para assistir. Ninguém vai mudar de opinião, mas todo mundo tem o direito de dar pitaco, de discutir incansavelmente. Aliás, essa é nossa principal – e mais chata – característica.

  • 20. l.c  |  20 - agosto - 2008 às 1:47

    Claudia,

    Concordo em parte com seu comentário. Continuo achando que é patrulhamento sim, nao acho nem um pouco que a monique necessite de ‘defesa’.
    Mas alguns comentários foram patrulhamentos.
    Entendo a questao de ingressos é complicadissima, mas nao concordo com a Gi no que tange dizer que na europa nao é assim, ingressos e reservas deles sao normais em qualquer país do mundo, e cambistas entao nem se fala…
    A questao de patrocinio de lei Rouanet é mais complexa ainda, pois se o ingresso custa uma fortuna mesmo com patrocinio é simplesmente pq o artista perdeu a mao no que cobra de cache e producao.
    Fui ver chico 2 x , paguei carissimo , mas paguei feliz. Será que ele cobrou o que ele merece?? questao de oferta e procura (lei básica do capitalismo) e o que nao suportaria ouvir de ninguem veladamente me chamando de otário, pq paguei caro por algo que a pessoa nao se dispos a pagar.

    Como diria o clássico do cancioneiro ”cada um no seu quadrado” e principalmente feliz pelo que lhe apetece, e qdo criticam isso e nao a essencia do problema, sim, me parece patrulhamento.

    Eu paguei R$ 150 em cada ingresso pra levar minha irma pra ver o jogo do Flu na final da libertadores, e sabemos que o esquema foi o mais fraudolente possivel, mas paguei feliz, e pode ter certeza que fui chamado de otário veladamente, até pq alem de tudo sou flamenguista.

  • 21. Olívia Bandeira de Melo  |  20 - agosto - 2008 às 14:26

    Bem, vou ser bem clara, então. O que estou criticando é a naturalização das práticas: ah, o mundo é assim, fazer o quê? Estou criticando o capitalismo. Estou criticando políticas públicas que beneficiam só a elite.

    Obviamente, reconheço que sou contraditória. Compro roupas caras, algumas vezes. Bebo e como coisas boas, algumas vezes. Mas não concordo com o mundo do jeito que é, acho que as políticas públicas podem mudar, e acho que a gente pode fazer alguma coisa por isso.

  • 22. Olívia Bandeira de Melo  |  20 - agosto - 2008 às 18:40

    Ah, e mais uma coisa.
    Teatro Municipal e outros espaços de cultura no Rio de Janeiro e no Brasil foram construídos e são mantidos com dinheiro público.

  • 23. A digestora metanóica  |  20 - agosto - 2008 às 18:56

    Concordo, Olívia. E serei mais clara ainda: se já pago plano de saúde, terei que pagar escola pros meus filhos, altos impostos, isso não significa que vou achar tudo natural. De alguma coisa eu preciso reclamar, né?

    E deixar de ir a um bom show é perder sim, como tem que ser. Todos que viram algum tipo de transformação precisaram perder alguma ou muita coisa.

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