Vinte nove

1 - setembro - 2008 at 17:16 13 comentários

Tenho 28, vou fazer 29 em breve, o que significa: quase 30. Mesmo.
A boa e velha desculpa que dissemos pra nós mesmos “sou jovem, tenho tempo”. não cola mais.
Não. Não sou mais tão jovem assim.
Sinto-me cansada como quem carrega nos ombros – ou no lombo? – uma vida inteira. Olha que nem cheguei à metade do caminho. Este mês completo 15 anos de trabalho. Já fui balconista, secretária, assessora, repórter de rádio, revista, jornal, produtora de mil coisas…enfim. O início precoce não antecipará a aposentadoria. Sou fruto do emprego informal, como boa parte de minha geração. Sempre me preocupei mais com o trabalho do que com o emprego em si. Sinto-me burra por causa disso, mas no fim, é o que conta, e o que acrescenta alguma coisa.
Desde o início deste ano me sinto permanentemente doente, ou à beira de ficar doente. Imunidade baixíssima. Pareço uma velha. Corpo gasto. Castigado. Dores, um mal estar permanente, um certo enjôo que não me larga e me atrapalha escovar os dentes todos os dias de manhã.
O cansaço, entretanto, não é só físico. É mental. É um desânimo por querer que as coisas dêem certo, e muitas vezes não é o que acontece. A pressão interna e externa em cima dessa coisa de dar certo na vida é muuuito chato. A cada dia que passa acho que preciso mais de um analista para me ajudar a exorcizar fantasmas, entender e sublimar neuras, a me perdoar mais. Ou menos.
Sinto-me velha diante de um mundo que pouco me surpreende. A juventude não abandona, aos poucos, só o corpo. Parece que meu tempo já passou, que perdi o bonde pois não tenho mais 20 anos, embora também tenha saudades de coisas que não vivi.
Minhas dores emocionais estão sendo jogadas, mês a mês, num buraco qualquer da alma, onde me incomodam pouco depois de uma semana martelando. Nesta seara o analista certamente me receitaria dois tarja-pretas por dia. Diferentes, um pra relaxar, outro pra ficar ligada.
Deus, o que fiz de mim…devia me cuidar mais.

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Entry filed under: Contos & Crônicas.

The Killers

13 Comentários Add your own

  • 1. l.c grazinoli  |  1 - setembro - 2008 às 19:18

    Sei exatamente o que vc está sentindo, sei exatamente…

    Crescer dói.

  • 2. Deia Vazquez  |  1 - setembro - 2008 às 20:27

    Eu nao sei disso nao. Sou garotona 🙂

  • 3. Pedro Paulo Malta  |  1 - setembro - 2008 às 20:37

    Seu pôste pede um Nelson Cavaquinho:

    Se eu for pensar muito na vida
    Morro cedo, amor
    Meu peito é forte
    Nele tenho acumulado tanta dor
    As rugas fizeram residência no meu rosto
    Não choro
    Pra ninguém me ver sofrer de desgosto

    Beijos do ancião
    PP

  • 4. Olívia Bandeira de Melo  |  1 - setembro - 2008 às 21:05

    Sou garotona como a Andréa. Aliás, tenho 18 anos. E envio um trecho que mexeu muito comigo, o tema é outro, mas pode ser “adaptado”:

    “Vejo 100 negros…Vejo você aprisionado. Vejo você enjaulado. Vejo você domado. Vejo você sofrendo. Vejo você enfrentando. Vejo você brilhando. Vejo você querendo. Vejo você precisando. Vejo você desrespeitado. Vejo você Sangue. Vejo você Aleijado. Vejo você Irmão. Vejo você sóbrio. Vejo você amado. Vejo você paz. Vejo você em casa. Vejo você ouvir. Vejo você amar. Vejo você nas coisas. Vejo você com fé. Vejo você consciente. Vejo você desafiado. Vejo você mudar. Vejo você. Vejo você. Vejo você…Definitivamente quero ser você.”

    (Peter J. Harris, “Hino de louvor aos irmãos anônimos”)

  • 5. l.c  |  1 - setembro - 2008 às 21:36

    Pepê (com a intimidade que nao tenho)

    Acho que pra esse post o ideal seria Miltinho com Mulher de Trinta.
    Você, mulher
    Que já viveu, que só sofreu
    Não minta
    Um triste adeus nos olhos seus
    A gente vê, Mulher de Trinta
    No meu olhar, na minha voz
    Um novo mundo, sinta
    É bom sonhar, sonhemos nós
    Eu e você, Mulher de Trinta
    Amanhã sempre vem
    Eo amanhã pode trazer alguém

  • 6. Pedro Paulo Malta  |  1 - setembro - 2008 às 22:37

    Falou e disse, LC. Colocou esperança no nosso papo enrugado.

    Que bonito, Lili!

    Beijos matusalênicos,
    PP

  • 7. Luciana Figueiredo  |  1 - setembro - 2008 às 23:54

    Também sei exatamente do que vc está falando, Monique. 30 daqui a 2 meses e 13 dias, exatamente. Mas tenho procurado desenvolver uma arte que tem se mostrado eficiente. Não foi minha analista que disse, também não veio da meditação da ioga, até porque, não faço ioga. Surgiu exatamente desse pequeno monte de anos que tenho (que temos), de uma coisa que tá tentando ser a tal “sabedoria que vem com a idade”, e será, tenho certeza. Tenho procurado cultivar pequenos prazeres; muitos deles, pra virar coleção mesmo. Assim, tenho esperança que se fortaleçam num escudo impenetrável contra os grandes pesos da vida que se leva hoje.

    Beijo pra vc. Gostei muito deste lugar.

  • 8. Deia Vazquez  |  2 - setembro - 2008 às 7:36

    Lili, obrigada por dividir o “hino de louvor”. Mexeu comigo tambem.

  • 9. Manu Cesar  |  2 - setembro - 2008 às 19:08

    Amiga, tb tenho enjoos de manhã ao escovar os dentes, meu deus, alguém para compartilhar disso, achei que eu fosse a única no mundo!

    Mas peloamordedeus! Vc tem SÓ quase 30! Só isso! A vida inteeeeira te pede passagem. reinvente-se 🙂

    beijos, te amoo!
    Manu

  • 10. Cláudia Lamego  |  2 - setembro - 2008 às 20:16

    Enjôo ao escovar os dentes? Pensei que isso fosse coisa de grávida!!! ehhehehe

  • 11. Gabriel Cavalcanti da Fonseca  |  2 - setembro - 2008 às 21:57

    Ou de cachaceiro.. 🙂
    Experimenta escovar os dentes do fundo com menos força.

    Tb me sinto velho.. Mas o inevitável não tem outro jeito de encarar que não seja da maneira mais otimista possível. Se possível.

    Bj

  • 12. A digestora metanóica  |  3 - setembro - 2008 às 0:55

    Nique, não coloque tanto peso na idade. Vou te contar um segredo: na semana passada mesmo me veio insistentemente à lembrança, muito provavelmente por causa da proximidade do meu aniversário de 27 anos, uma conversa que tivemos por msn há dois anos atrás. Você me parecia angustiada e insistia: “já não sou mais novinha, vou fazer 27 anos”…

    Sou testemunha de que esse seu sentimento, diferente de você, não é tão novo assim. E posso te dizer uma coisa? Esse sentimento me encheu de esperanças há dois anos atrás e elas foram renovadas com esse post que interpreto como um estranho e belo sinal. Sabe por quê? Porque se esse seu corpo fosse mesmo velho, ele não estaria incomodado, enjoado da mesmice e gritando pelo novo.

    Beijos, linda.

  • 13. Gugu  |  3 - setembro - 2008 às 17:41

    Nique, os 30 amedrontam sim. No meu caso, entrei numa paranóia de que havia construído pouca coisa nessas três décadas. Aí resolvi casar, fiz curso de maquiagem e entrei pra academia. Aliviou um pouco a sensação de derrota. E me sinto fisicamente mais jovem também. Como disse Manu, reinvente-se! Sua vida começa agora. Beijos.

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