Ainda a polêmica da Cidade da Música. Onde está o absurdo?

18 - dezembro - 2008 at 14:36 1 comentário

Monique Cardoso

Ainda a polêmica da Cidade da Música, que ninguém sabe se abre ou não abre hoje. Antes, um prefácio. Devo confessar que vou sentir falta do prefeito Cesar Maia. Tenho uma razão para isso. A newsletter dele, conhecida como ex-Blog. É repleta de besteiras, opinologias baratas, mas às vezes traz algumas infos interessantes que podemos extrair. Como esta:

“Jornal do Commércio, 15 de julho de 1909.
Inauguração do Teatro Municipal

Inaugurou-se ontem o suntuoso monumento com que a prodigalidade municipal dotou a cidade. O edifício colossal e soberbo parecia uma imensa mole de granito, mármore, ouro, bronze e vidros, resplandecendo à luz branca que jorrava do seu bôjo numa fulguração que deslumbrava. A multidão olhava para o teatro como tomada de assombro ante aquela grandeza, fruto de uma megalomania e abria alas para os que lá dentro iam assistir ao espetáculo de inauguração. (…).

Quando o Municipal foi inaugurado, custou cerca de 2% do PIB Nacional. Isso mesmo. Num país periférico, atrasado, sem rede de escolas públicas, sem ruas asfaltadas, sem hospitais suficientes, a população operária via se erguer um palácio de mármore, bronze e ouro para a ópera. Tudo foi importado da Europa.

Para erguê-lo, centenas de casas e cortiços foram derrubados, empurrando a população do Centro para morros e áreas mais afastadas. Não havia saneamento básico, o esgoto escorria a céu aberto, epidemias matavam muita gente e o sanitarista Oswaldo Cruz queria vacinar as pessoas à força.

O prefeito Pereira Passos queria transformar o Rio numa Paris tropical. Mandou fazer uma cópia da Ópera de Paris enquanto a metrópole européia já tinha até metrô, que só chegou aqui nos anos 70. Abriu a larga Avenida Rio Branco quando pelo centro só circulavam charretes e carroças, a frota de carros não chegava a mil automóveis.

Tudo era megalomania. E hoje? O que achamos do Municipal, da Rio Branco (que não comporta tantos carros), da Cinelândia, megalomania? A identidade cultural desta cidade foi construída também a partir de seu espaço urbano.

Concordo que não é difícil que possíveis provas de fraude venham a aparecer, o cheiro da tinta também cheira a superfaturamento. Foi uma obra cara demais para uma cidade em que as favelas crescem em escala geométrica.

Mas e daqui a cem anos? Nem tanto, daqui a 10, 20?

Sempre vai haver a comparação superficial dos números: os R$ 600 milhões da construção da Cidade da Música dariam para erguer dezenas de escolas, hospitais, tantas centenas de quilômetros de pavimentação. Alguém me responda: Os políticos fazem isso? Não. Não fazem.

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Entry filed under: Cultura, Política.

Os presentes do governo Todo menino é um rei

1 Comentário Add your own

  • 1. JH  |  19 - dezembro - 2008 às 15:21

    nunca li esse ex-blog… mas realmente essa informação que vc divulgou foi interessante.
    abs

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