O rolo compressor do “progresso”

9 - janeiro - 2009 at 17:26 1 comentário

ilha-da-madeira

JH Oliveira

Mais um megaempreendimento portuário ronda a já devastada área da Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro. A empresa de logística portuária LLX (parte do grupo EBX, do milionário Eike Batista) planeja construir um porto privado (chamado Porto Sudeste) para escoamento de minério de ferro, na Ilha da Madeira (foto), município de Itaguaí. O projeto vem sendo apresentado à comunidade local em reuniões prévias, antes da realização da audiência pública. O objetivo, segundo os representantes da LLX, é garantir a “transparência e respeito às partes envolvidas”.

O “respeito ao meio ambiente” foi o mote da reunião pública realizada em Itaguaí, no dia 7 de janeiro. Ela serviu para apresentar aos interessados (uns 60 gatos pingados que compareceram, pois a divulgação foi pífia) um resumo do estudo de impacto ambiental encomendado pela empresa. A Ecology Brasil, que realizou o estudo, identificou 42 impactos (25 na fase de obras e 17 na de operações), incluindo positivos e negativos. Entre os negativos, estão a retirada da vegetação nativa, a geração de resíduos e a interferência na atividade pesqueira.

Para cada problema, uma sugestão bonita e “politicamente correta”, seguindo os critérios de “responsabilidade social” alardeados por essa e tantas outras empresas. Se os pescadores vão perder seu meio de sustento, já que não poderão pescar no trecho destinado aos grandes navios, a LLX apresenta “soluções alternativas para o acréscimo de renda” (sem dar detalhes sobre como fará isso). Se a população local terá de deixar suas casas, desfazer laços familiares e de amizade, a empresa do ricaço Eike oferece “programas de indenização e realocação da população da Ilha da Madeira”. Se parte da cobertura vegetal e uma área rica em manguezais serão devastadas, também há um plano de “compensação pela supressão da cobertura vegetal e de manguezais”.

Vozes contrárias

A reunião deixou de ser um insosso desfilar de slides quando o público foi chamado ao debate. Moradores da ilha, pescadores e pesquisadores levantaram possíveis problemas com a construção e a operação do Porto Sudeste. Pediram a palavra pessoas que compartilham a experiência de conviver com o saldo das atividades industriais e portuárias que castigam a região há décadas.

Membros da Comissão de Revitalização de Sepetiba trouxeram o exemplo de seu bairro para alertar sobre o que vem acontecendo no entorno da Baía de Sepetiba. “O turismo é a vocação natural da região, mas a estão transformando em um polo industrial”, disse Magali Jordão. Outro a opinar foi Sérgio da Silva, também de Sepetiba: “Nos anos 90 a Docas e a CSA falaram a mesma coisa sobre o cuidado com o meio ambiente. Mas, na prática, acabaram com nossa praia”. Quem conhece o local, sabe do que ele está falando.

Já Leonardo Flach, biólogo do projeto Boto Cinza, afirma que não há mais espaço para um porto na área. “A Baía de Sepetiba chegou ao limite para o recebimento de portos. Na região ocorre grande concentração de golfinhos e esse empreendimento, se passar, vai representar uma agressão gigantesca ao ecossistema. Eles pensam só nos fatores econômicos”, disse.

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(Quem quiser ler o texto na íntegra, clique aqui)

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1 Comentário Add your own

  • 1. Olívia Bandeira  |  27 - janeiro - 2009 às 15:17

    Oi, JH.
    Muito bom o seu texto.
    Me fez lembrar uma situação parecida que aconteceu em Niterói há alguns anos. Foi construído um terminal de catamarãs e um estacionamento na praia de Charitas, em frente ao Morro do Prevenório e próximo à colônia de pesca de Jurujuba.
    O estudo de impacto ambiental desaconselhou a obra, que causaria danos ao meio ambiente, afetaria a pesca na região e prejudicaria uma das poucas opções de lazer dos moradores da região (a obra foi feita na areia da praia, o que é proibido por lei).
    Poucos moradores se mobilizaram, infelizmente. Houve meia dúzia de reuniões e mini-passeatas, envolvendo representantes da comunidade e a prefeitura, que acabou liberando a obra mesmo diante de tantos fatores negativos.
    A empresa ficou de apresentar contrapartidas que incluiam, por exemplo, uma praça e quadras de esporte, mas a única medida tomada foi a instalação de holofotes no pequeno trecho de praia não ocupado pela obra de Niemeyer (a estação faz parte do Caminho Niemeyer, vitrine de políticos da cidade).
    Com a passagem a mais de 5,00 para a travessia Charitas – Praça XV, os moradores das comunidades do entorno continuam pagando um ônibus para o centro e as barcas para chegar ao Rio, enquanto os mais abastados se beneficiam do transporte. O trânsito na cidade não melhorou em nada, ao contrário, piora a cada dia com os inúmeros arranha-céus que são construídos nas ruas estreitas, atraindo novos moradores com o slogan “a quarta cidade em qualidade de vida no páis”.

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