Duas perguntas a Felipe Schuery

9 - março - 2009 at 13:39 Deixe um comentário

Lucas Bandeira

Duas perguntinhas por email para Felipe Schuery, já que falei abaixo do álbum Data Crônica, lançado apenas na internet.

1 – Como foi a idéia do Data Crônica?

Eu comecei a entrar em parafuso com essa história de overdose de informação e tecnologia quando me toquei que meus amigos tinham parado de comprar CD, os CDs estavam caros e eu não estava familiarizado com download de música. Isso foi em 2004, acho. Fiquei congelado, não comprava mais nada, mas também não baixava. Apareciam duzentas bandas novas por semana e eu lia sobre todas mas não ouvia nenhuma. Comecei a fazer música a partir dessa angústia, mas aos poucos fui aprendendo a curtir esse excesso e a lidar com a ressaca e as sequelas dele. As 14 músicas do disco vão por aí, são croniquetas de uma época regada a informação.

2 – No Lasciva, vocês já usavam MySpace e site, mas agora você decidiu partir para as outras redes sociais (como Twitter, além do blog, que parece a versão prática do que você quis dizer no álbum). Como você vê daqui para a frente a relação entre essa “blogosfera” (na falta de uma palavra melhor) e a produção cultural? Para você, disponibilizar as músicas na internet (que é o outro lado da moeda da pirataria) atrapalha ou ajuda as pessoas que estão começando a fazer música?

É ótimo poder contar com ferramentas que te ligam diretamente ao público. O mesmo no caminho inverso: quem curte acompanha, escolhe que notícias e de quem quer receber, sem intermediários. Consumir o processo (não só o fim) já é fato na geração que nasceu teclando. Ainda não temos um modelo definido de comercialização de música na era digital, mas disponibilizar na internet é tranquilamente a melhor forma para um artista independente divulgar seu trabalho. Você tem o foco, sabe aonde ir, a quem procurar, e acaba atingindo um leque imenso e diversificado de pessoas, o que não aconteceria de forma tão prática e rápida no modelo físico de distribuição. As consequências (shows, merchandising, convite para outros projetos, etc.) da formação desse público e da exposição da obra é que me parece trazer a remuneração financeira pelo trabalho. Não a sua venda em si. Estamos na correnteza, e vamos nessa.

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O excesso de informação, por Felipe Schuery Do Sertão de Alagoas

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