Má educação

12 - março - 2009 at 14:20 3 comentários

Etevaldo Alcaçuz

Três anos atrás, fui à palestra de um especialista em Língua Portuguesa, que defendia a tese de que um erro, se cometido de maneira padronizada num determinado espaço geográfico, deixava de ser erro e passava a ser regionalismo. Isso faz muito sentido na cidade onde trabalho — Macaé, no Norte Fluminense — onde não é incomum ouvir gente trocando L por R e ignorando completamente o plural (chegando ao ponto de dizer “os ônibo”). Essas peculiaridades não são exclusivas dos segmentos onde se esperaria encontrá-las, como na fala das classes mais baixas, mas de todos. Já vi professor falando assim tranquilamente.

Regionalismo ou não, essas “variações” ficam ainda mais estranhas quando escritas. Incomoda muito mais, na minha opinião, ler “prástico” do que ouvir. Mas nada fere e desespera mais quando se vê uma peça de comunicação oficial reproduzir o mesmo erro.

praca

A “praca” acima, que informa sobre obras na via, fica no meu caminho de volta do trabalho, de forma que tenho que vê-la todo dia. E todo dia sinto uma dor física ao ler que os benefícios serão permanente. Regionalismo nenhum explica isso. O poder público, mais que qualquer um, tem que seguir as leis, inclusive as gramaticais.

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3 Comentários Add your own

  • 1. Lilibeth Flores  |  12 - março - 2009 às 18:21

    Seu Etevaldo (posso chamá-lo assim?),
    o senhor é muito conservador.
    Assisti a uma palestra com minhas amigas de praia outra dia que falava sobre mudanças na língua, que a língua é dinâmica e que não existem erros, mas reconstruções. Fiquei tão empolgada! Gostei tanto! Foi o assunto da hidroginástica no dia seguinte.
    E se é a vontade do povo, seu Etevaldo, por que o governo não pode obedecer?

    Beijocas,
    Lilibeth

    P.S.: Estou com saudades daquela novela em fragmentos que estava sendo publicada. Onde está o rapaizinho que a escreve? Entrou de férias?

  • 2. E. Alcaçuz  |  13 - março - 2009 às 14:30

    Sra. Lilibeth, é um prazer receber sua resposta, mas na minha opinião esse argumento só serve pra justificar erros de quem não domina o português, esta última flor do Lácio, inculta e bela. Se tudo passa a ser reconstrução, em breve estaremos cada qual com seu dialeto e nos entendemos ainda menos do que atualmente.

    Quanto à novela em fragmentos, há que se esperar o responsável voltar. Há rumores de que, num acontecimento de grande ironia cósmica, ele teria sofrido destino semelhante ao de seu protagonista.

    Até,
    Etevaldo A.

  • 3. Giserda Maiavilha  |  16 - março - 2009 às 13:05

    Gosto muito dessa discussão…

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