Bailão do Alemão

23 - março - 2009 at 16:40 7 comentários

Leo Cosendey

Na sexta-feira passada, fui ao minifestival Just a Fest, na Praça da Apoteose, que reuniu Kraftwerk, Los Hermanos, Radiohead e uns tais DJs convidados. Por sorte, moro longe e quando cheguei o show do Los Hermanos já havia terminado, o que me poupou o incômodo de passar hora e meia procurando um lugar para dormir e ainda fez com que eu chegasse bem a tempo de ver o que realmente queria: o Kraftwerk.

Como já esperava, a apresentação deles foi extremamente burocrática, com efeitos de luz e som de 40 anos atrás — nenhum problema, afinal essa é a proposta dos caras (basta ver o site deles). Mas as músicas que eu conhecia, clássicos como Autobahn, Pocket Calculator, Radioactivity e The Robots, estiveram todas presentes.

Hütter durante apresentação na Filarmônica de BerlimDepois do show, quando uma banda mais inexpressiva tocava, fui ao bar comprar uma cerveja, que custava abusivos R$5 a lata — e estudantes não tinham direito a meia — e me surpreendi ao encontrar lá um dos integrantes fundadores do Kraftwerk, o Ralf Hütter. Ele estava tendo muita dificuldade em fazer a moça do bar entender que ele queria uma cerveja quente (os alemães e suas manias) e resolvi ajudá-lo. Ele me agradeceu e eu aproveitei para emendar numa pequena entrevista, que reproduzo abaixo:

O CAROÇO: Sr. Hütter, qual é sua sensação de tocar aqui no Rio esta noite?
Ralf Hütter: Indiferente. Já tinha vindo aqui antes. (toma um gole da cerveja — Hütter se refere ao Free Jazz de 1998 e ao Tim Festival em 2004)

OC: O que você acha de sua banda ter sido escalada para tocar entre dois conjuntos de rock?
RH: Rock? Isso é um conceito muito vago. Aqueles que tocaram antes de nós pareciam mendigos tentando ganhar uns trocados. E esses que estão aí agora (aponta para o palco, onde o líder do Radiohead, Thom Yorke, geme e pula) estão ocupados demais lançando conceitos para se preocupar com música.

OC: Mas não é exatamente isso que o Kraftwerk faz?
RH: É. (toma outro gole)

OC: Com tantos avanços na música eletrônica, por que vocês mantém os mesmos sintetizadores há décadas?
RH: Porque é nosso estilo. Se começarmos a soar como os músicos eletrônicos atuais, vamos ser convidados para tocar em raves. E nós não vamos a raves, lá tem muita droga. Drogas prejudicam nosso sistema operacional, digo, nosso organismo.

OC: Por que essa fixação com robôs?
RH: Nós somos robôs.

OC: (rindo) Não, sério.
RH: Eu estou falando sério. (dá um gole prolongado, que quase acaba com a lata)

OC: Certo. Uma última pergunta: Tendo influenciado tanta gente, quem você diria que realmente pegou o espírito da coisa?
RH: O que o povo carioca chama de funk. Esses são os que chegaram mais perto da nossa proposta. Na última vez em que estive aqui, conheci o MC Sapão. O uso dele de samplers e baterias eletrônicas é simplesmente sensacional. Já combinei com ele de fazer uma nova visita amanhã. (abre a jaqueta, mostrando uma camiseta do funkeiro)

Como a cerveja já havia acabado e o show do Radiohead continuava rolando, resolvi encerrar a entrevista. Hütter ofereceu-se para transmitir nossa entrevista para meu computador pela internet, que ele consegue acessar telepaticamente por meio de suas ondas mentais cibernéticas. “Não, obrigado”, agradeci, tímido, e voltei para a multidão.

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Há 170 anos, nascia o maior compositor de Pskov CIRCO PALOMA 1: ALAKAZAN!

7 Comentários Add your own

  • 1. Olívia Bandeira  |  23 - março - 2009 às 23:34

    Sensacional.

  • 2. Simone Sá  |  24 - março - 2009 às 0:53

    Perfeito…Adoreii!!

  • 3. Deia Vazquez  |  24 - março - 2009 às 8:58

    hahahahaha

  • 4. Gisele Maia  |  24 - março - 2009 às 13:05

    Parceiro, você acabou comigo. Depois disso, como vou escrever sobre o show?

    Genial! hahahaha

  • 5. L.C  |  24 - março - 2009 às 13:26

    Quando eu crescer eu quero ser que nem vc, ou melhor , que nem voces (Leo, noel….)

  • 6. leoc.  |  24 - março - 2009 às 14:30

    GISELE: qual é, parceira. eu só falei de uma banda. deixei duas pra você. tudo bem que tive a sorte de estar no lugar certo na hora certa, mas ainda te sobrou bastante coisa.

    LC: não começa com intriga. já falei que eu sou único. aquela bagunça no post do lucas foi ele mesmo que arranjou.

  • 7. Gabriel Lucas  |  24 - março - 2009 às 16:56

    Eu sabia que ele curtia o MC Sapão!

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