Parada dura

16 - junho - 2009 at 10:39 2 comentários

Gustavo Monteiro

No último domingo, dia 14 de junho, uma bomba de fabricação caseira foi lançada em um bar no Largo do Arouche, após a Parada Gay de São Paulo, ferindo vários frequentadores.

N’O Globo do dia 15 tinha a seguinte declaração: “Não eram só gays que estavam no local. Todos trabalham, alguns têm filhos, são pais de família. Quem fez isso não pensou que eram seres humanos. Esta pessoa não pensou”.

O que me deixa um pouco assustado é que certos discursos, vindos dos próprios homossexuais, colaboram, mesmo que involuntariamente, para reforçar o preconceito. E a mídia, quando os veicula, dá uma forcinha para isso também.

Quer dizer que, se no local houvesse apenas gays, e não pais de família com crianças, não teria havido crime? E por acaso gays não podem ser pais de família? Família já deixou de ser, há muito tempo, o modelo clássico “pai-mãe-filhos”.

É o mesmo que um gay, ao sair do armário, dissesse para a sua mãe: “eu podia estar roubando, cheirando, matando, mas não: sou gay”. Inconscientemente acabamos reforçando o preconceito contra nós mesmos. Não é mole não…

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2 Comentários Add your own

  • 1. Cláudia  |  16 - junho - 2009 às 18:50

    Gu, acho que o que ele quis dizer é que o filho da puta que jogou a bomba não pensou que no lugar não tinha só o público-alvo dele, que eram os gays. Como os terroristas que querem atingir os Estados Unidos e jogam aviões contra gente que nada tem a ver com Bush.
    De qualquer forma, lamentável o episódio. Lamentável também a existência de neonazistas e de garotos de classe média batendo em empregadas.

  • 2. Olívia Bandeira  |  18 - junho - 2009 às 13:58

    Lamentável o episódio mesmo.
    Mas fiquei com dúvida em relação à interpretação da declaração que você citou.
    Ao dizer “Não eram só gays que estavam no local. Todos trabalham, alguns têm filhos, são pais de família. Quem fez isso não pensou que eram seres humanos. Esta pessoa não pensou”, será que a pessoa não queria expressar que as pessoas que estavam ali não poderiam ser vistas só como gays, pois todas elas (gays ou não) trabalham e algumas delas (gays ou não) têm filhos, são pais de familia?

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