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Marcelo Valle

Achei mais uma pérola do youtube, essa vai pra quem gosta de cinema.

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18 - abril - 2009 at 20:09 3 comentários

HQ é coisa séria…

Marcelo Valle

 

 

Sandman 1- Neil Gaiman<br /> Capa: Dave McKean

Sandman 1- Neil Gaiman Capa: Dave McKean

 

Neil Gaiman que me desculpe, mas tirei da gaveta um velho papel amassado e carcomido com um pequeno texto que escrevi há uns dez anos. Trata-se de uma adaptação livre,  uma releitura,  mal feita (e mal cheirosa) de uma parte  de “Prelúdios e Noturnos”, do primeiro Arco da série Sandman, publicado no Brasil em meados da década de 90.

Sonho e Esperança são irmãos. Numa tentativa de desorientar a Humanidade, a Esperança foi raptada e separada do Sonho. Viver sem esperança é um pesadelo. Seguindo os rastros da Esperança (a esperança sempre deixa rastros), o Sonho chegou até as profundezas do Inferno. O Sonho tinha um nome, chamava-se Morpheu. O barulho era literalmente infernal, gritos de agonia e de dor tomavam todo ar. Ar?! Demônios, demônios, demônios de todas as hordas do inferno cercavam Morpheu, o mestre dos sonhos. Milhões deles em formação de batalha fitavam-lhe nos olhos. Olhares cheios de certeza. Um poderoso senhor do inferno levantou sua voz acima de todas as outras e, imediatamente, nada mais foi ouvido. Um silêncio também infernal. Esse mesmo demônio, cheio de ousadia, quebrou o silêncio e lançou uma pergunta a Morpheu:

– Você não tem nenhum poder aqui, que poder tem os sonhos no inferno?

Outra vez o silêncio…

A reposta veio em forma de pergunta, com a suavidade de um sonho e a força de um pesadelo:

– Vocês dizem que eu não tenho poder? Talvez tenham razão, mas dizer que os sonhos não têm nenhum poder aqui?

– Digam-me, perguntem-se…

– Que poder teria o inferno, se os prisioneiros daqui não pudessem sonhar com os céus?

Em seguida, nenhuma palavra foi ouvida, no entanto, a resposta foi dada. Lentamente, milhares de demônios baixaram seus olhares e suas armas, aos poucos o caminho foi sendo aberto.

Com passos firmes, o senhor dos sonhos prossegue sua jornada transitando livremente entre céus e infernos, afinal, sonhos e pesadelos são feitos da mesma matéria.

A humanidade com esperança acompanha os passos do sonho…

 

27 - março - 2009 at 14:19 5 comentários

Calder, Barthes e eu

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Gustavo Monteiro

O ano era 2006, um dia ensolarado de novembro ali na Praça XV e eu sem nada para fazer. Provavelmente um final de semana ou horário de almoço mesmo, não me lembro bem. Passei pelo Paço Imperial e resolvi entrar, gosto de descansar naquele pátio interno, me traz uma paz incomum.

Subi para ver o que havia por lá e me surpreendi com móbiles, esculturas, desenhos, gravuras e outras peças coloridas, flutuantes, sinuosas. Foi meu primeiro contato com o escultor Alexander Calder (falecido em 1976), que havia montado exposição no Brasil pela primeira vez em 1948, no MEC (Rio), então recém-inaugurado, e no MASP, em São Paulo.

Olhando para os móbiles compostos com arame, discos e placas de metal, entre outros elementos, me senti meio criança dentro do berço, tentando pegar passarinhos de mentira com braços curtos demais, mas hipnotizado pela sutileza das formas e o movimento humilde de cada parte da peça.

Outro dia, na minha leitura diurna vindo para o trabalho, encontrei um trecho num livro de Barthes (Ronald Barthes inéditos vol. 3 – imagem e moda, da Martins Fontes, 2005), que traz uma bela análise sobre a obra do artista americano. Calder estava expondo em Paris, em 1947, e Barthes resolveu comentar.

Me identifiquei de imediato com a percepção de Barthes, acho que ele conseguiu traduzir em palavras o que a gente sente ao olhar para as peças do escultor: “Calder exprime a palpitação silenciosa da pobreza, a gracilidade seca e frágil de um mundo privado de seu alicerce sensual”.

Em outro trecho o filósofo afirma se tratar de uma arte “religiosa”. “Seus efeitos baseiam-se em certas correspondências de ordem cósmica entre a causa invisível e o movimento visível. O silêncio no qual se movem, lenta e imprevisivelmente os objetos, tão magros e desamparados, seria trágico se neles não houvesse – voluntariamente, acredito – algo de abortado e sufocado.”

Barthes diz que Calder revolucionou ao promover a animação do objeto de arte. “O que impressiona em Calder é que o artista que concebeu e ousou tal procedimento – talvez decisivo – não o utilizou para enfatizar o triunfo da substância e dar cor: ao contrário, aplicou-o imediatamente a forma paupérrimas, magérrimas, das quais está banida a sensualidade (mas não o vício, pois o estranho nunca é puro). Dando-lhes movimento, retirou-lhes a riqueza.” E conclui referindo-se à obra como absurda e sem ternura, “uma nova forma do sacro, religioso sem teologia e terrível sem suntuosidade.”

4 - dezembro - 2008 at 13:24 6 comentários


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