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Tem programa pro fim de semana?

Olívia Bandeira de Melo

fagner

A Feira de São Cristóvão, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, realiza um evento neste fim de semana para arrecadar alimentos, água potável e roupas que serão enviados para os desabrigados pelas chuvas do Norte e Nordeste do Brasil.

Programação:
23/05, sábado, às 23h: apresentações de artistas como César Nascimento, Marcus Lucenna & Forró Forrado, Caraforró, Tribo de Gonzaga

24/05, domingo, às 17h: show de Raimundo Fagner

A entrada para a feira custa R$ 1.
Endereço: Campo de São Cristóvão, sem número, Rio de Janeiro (RJ) Informações: (21) 22930095 (Administração do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas)

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23 - maio - 2009 at 21:22 Deixe um comentário

Acontecimentos reais.4

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Olívia Bandeira

Foto: Marcelo Valle

Da janela de sua casa, no centro da cidade, ela olhava o rio. A chuva caía fina e constante, desenhando no leito desassoreado e turvo os acontecimentos das próximas horas. Separou todos os sapatos da casa, os seus e aqueles que pertenceram aos que já não estavam mais ali, a não ser como retratos na parede. Colocou-os a salvo em cima do armário do quarto, protegidos das águas que em breve manchariam para sempre os colchões, os lençóis, as panelas, as cartas guardadas por décadas e os álbuns de família.

Para si, reservou o par de botas que usava nas ocasiões especiais e que estava guardado há mais de vinte anos. Separou também os panos e baldes com os quais lavaria, assim que as águas baixassem e antes que as lágrimas secassem, os pés de seus vizinhos. Aprendera que a melhor maneira de consolar os desabrigados depois das enchentes era lavando seus pés, como fizera sua mãe em históricas ocasiões, e distribuindo calçados.

A janela, não sabia por que, era um alívio, com o qual ela se protegia apesar das tragédias que via lá fora, enquanto sentia o cheio da água podre que invadia sua própria casa. Não ligava o rádio, que contaria os dramas pessoais e contabilizaria o número de mortos e desabrigados. Registrava todas as cenas com seus próprios olhos, projetados para além da janela.

Do outro lado da ponte nova, viu um homem com cerca de 35 anos, com um enorme sorriso nos lábios, carregando algum aparato tecnológico. Alguns pensariam que era o engenheiro da prefeitura, feliz ao constatar que a ponte sobreviveria à força das águas. Outros diriam que era um fotógrafo que acabara de fazer a imagem de capa do jornal da cidade, sem conseguir conter a satisfação ao imaginar os elogios que receberia: “Que imagem terrível!”.

Mas ela sabia que aquele homem que expressava uma felicidade incontrolável era dono de outra história. Policial rodoviário, já havia presenciado inúmeros acidentes e acompanhado o resgate de muitas vítimas de desabamento desde que a chuva começara, há cerca de uma semana. Naquele momento, no entanto, o sorriso era inevitável. Seu celular tocou e a enfermeira do hospital deu a notícia de que seu primerio filho havia nascido, era um menino, pesava quase três quilos e em breve estaria em casa.

29 - dezembro - 2008 at 14:41 1 comentário


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