Posts tagged ‘grafite’

MJ no Sabão!

Marcelo Valle

Jackson ainda tá por aí, andou escorregando no Sabão.
O “Sabão” é uma comunidade que fica logo ali na entrada da ponte Rio-Niterói! O grafite é do Davi, máfia 44.

grafite_2009_sabão 203 copy

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9 - julho - 2009 at 22:33 3 comentários

A Vertigem de Osgemeos

Luciana Gondim

Nunca fui amante de grafitti. Aliás, confesso que sofro de um conservadorismo caótico, que com freqüência me conduz a um estado de esquizofrenia catatônica. Mas às vezes me desafio: fui ver a Vertigem de “Osgemeos”, no CCBB do Rio. Sons da cidade grande, carências, festa junina, pescadores, trilhos e barracos se misturam em uma atmosfera inquietante. Vertigem é um belo ensaio visual sobre uma gente multicolorida, imaginativa, trabalhadora, farta de sonhos, carente de realizações.
osgemeos1

Nascidos em 1974, os gêmeos idênticos Gustavo e Otávio Pandolfo começaram desenhando nas paredes de casa, partiram para os muros de São Paulo, até participarem da primeira coletiva no Museu na Imagem e do Som de São Paulo, em 1993. Continuaram ocupando o espaço urbano com suas figuras em cores vibrantes, fizeram mais uma coletiva em 1998, na Funarte SP e, no ano seguinte, saíram para o mundo. Hoje, têm muros grafitados nos quatro cantos do planeta – EUA (Nova York, Los Angeles, São Francisco), Austrália, Alemanha, Portugal, Itália, Grécia, Espanha, China, Japão, Cuba, Chile e Argentina.

osgemeos2

Vertigem fica até o dia 17 de maio no CCBB.

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil RJ
Rua Primeiro de Março 66
Centro – RJ
(21) 3808 2020
terça a domingo, 10 às 21h
Grátis

6 - abril - 2009 at 11:57 7 comentários

Pintaram tudo de cinza

Clique nas imagens para vê-las com mais detalhes

Olívia Bandeira de Melo
Fotos:
Marcelo Valle e Flávia Gomes

Ainda em Minas, de férias no início de janeiro, liguei para o Marcelo, que já estava de volta a Niterói, e recebi a notícia. “A prefeitura pintou todos os muros grafitados que podia”.

Por coincidência, acabara de ler um trecho do livro Dias e noites de amor e de guerra (L&PM Pocket), do Eduardo Galeano, dando a notícia, de algum tempo, de algum governo, de algum país da América Latina, “a tapar com pintura branca as frases de protesto que em outros tempos cobriam os muros da cidade”.

Galeano lamentava a tentativa de destruição da memória, o que, a princípio, me soou estranho. Os grafites, as frases, as pichações, em geral, são dinâmicos. Aparecem e desaparecem na paisagem urbana.

No entanto, a constante renovação das ilustrações, frases e assinaturas não acontece por imposição ou censura oficial; fazem parte de um diálogo que envolve muros que são erguidos e postos abaixo, o desbotar das tintas, a conversa e a competição entre grafiteiros, pichadores e cartazes publicitários.

E, se pensarmos na memória como uma (re)construção cotidiana, podemos ler também a atitude do governo recém-eleito de Niterói como um ataque à memória – uma memória que não está registrada nos documentos oficiais, nos livros didáticos ou na mídia hegemônica, mas que é rascunhada no cotidiano da cidade.

Em reunião na Secretaria Municipal de Cultura, alguns grafiteiros ouviram a promessa de que a prefeitura destinará a eles os espaços “adequados” a seus desenhos e frases. Já faz tempo que o grafite vem sendo reconhecido e tratado como “arte”. As ilustrações são aplaudidas, remuneradas, chamadas para preencher também as paredes de museus. Por outro lado, muitos argumentam que, ao deixar de ser espontâneos e dialogar com a cidade, os acontecimentos e o contexto histórico e social, os grafites perdem seu sentido, de informar, provocar, protestar, ao ar livre, no cotidiano das pessoas.

A meu ver, apagar os muros, demonizar as pichações e confinar os grafites a museus (podem estar lá também, mas não só) e espaços “adequados” é um atentado contra a liberdade de expressão, sintetizada, mais uma vez, por Eduardo Galeano: “Muros – a mais democrática de todas as imprensas”.

Alguns dos grafites apagados, como os que ilustram este post, felizmente foram fotografados por Marcelo Valle, Dyego Rodrigues, Ademis Sobrinho, Claudiana Silva e Flávia Gomes, do projeto Olho Vivo, no segundo semestre do ano passado.

3 - fevereiro - 2009 at 18:31 Deixe um comentário

LEIA OS MUROS!!!

Marcelo Valle

Foto:Marcelo Valle

Marcelo Valle

Os homens inventaram as cidades, mas as cidades, por fim, reinventaram os homens. Erguemos cercas, depois muros que delimitam espaços e propriedades.
As cidades têm seu próprio tempo, envelhecem , se renovam. Os muros refletem essa dinâmica, trazem as marcas do tempo,dos conflitos, dos homens. Estive há pouco, no meio do mundo, que é dividido por uma grande muralha – ” a Muralha do Meio do Mundo.”

Grafismo na "Muralha do Meio do Mundo"

Fica na Paraíba, no Cariri. Ali, homens de outro tempo, anterior às cidades deixaram suas marcas, grafismos, com seu significado oculto no tempo. 700 anos? 1000 anos? Ninguém sabe ao certo.
De volta ao Rio de Janeiro passei a dar mais atenção aos muros e percebi que eles ganharam o ritmo das cidades e outras tantas funções que vão muito além de delimitar espaços e definir propriedades. Os muros definem também identidades e territórios ( lembrando que um território é um espaço, mas nem todo espaço é um território). Os muros são espaços de comunicação, de idéias, de arte e de conflito e disputas.
O que nos dizem os muros? É possível lê-los?
Nas cidades, a cor predominante é o cinza, nos prédios,viadutos,marquises e calçadas. Quebrando o monopólio do cinza, surgem os grafites reivindicando cores. Desenhos que interagem com pedestres e automóveis. Desenhos abstratos,
personagens, letras coloridas,”bombers”, lambe-lambe, cartazes, stencil. Palavras de ordem, de ironia, de amor, de inconformismo, que hoje estão ali, e amanhã já foram substituídas por outras palavras ou desenhos, por outros sentidos. Palavras de passagem, para leitores de passagem. E, como escreve Eduardo Galeano:”…somos muitos os que a cada dia comprovamos que as anônimas inscrições transcendem seus autores. Alguém, sabe-se lá quem, desafoga sua implicância pessoal ou transmite alguma idéia que lhe visitou a cabeça, ou desata a tomar as dores por si e pelos outros: às vezes esse alguém está sendo a mão de muitos”. E as paredes tornam-se assim a mais democrática de todas as imprensas.
Leia os muros! Escute os os muros!

Hoje você tem uma boa oportunidade de ir ALÉM DOS MUROS: a partir das 16 hs, no terminal rodoviário João Goulart em Niterói. O projeto Olho Vivo convida para uma intervenção com muitas fotos, grafites, vídeos e música!
ozzy

17 - dezembro - 2008 at 1:44 1 comentário


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