Posts tagged ‘Lula’

MPB – Música Para Baixar

Olívia Bandeira de Melo

Foi lançado no mês passado, no I Fórum Música Para Baixar, parte da programação do 10º Fórum Internacional Software Livre, realizado em Porto Alegre, um manifesto em favor dos downloads e da livre circulação de música pela internet, com base na ideia de que “quem baixa música não é pirata, é divulgador. Semeia gratuitamente projetos musicais”.

O manifesto foi assinado por artistas incluídos no rótulo da outra MPB, a Música Popular Brasileira, como Zélia Duncan, Leoni e Nei Lisboa, os três com verbetes no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

O manifesto circula na rede mundial de computadores num momento em que projetos de lei em diversos países do mundo propõem a criminalização dos downloads e das trocas de arquivos via rede P2P, como a brasileira Lei Azeredo, já discutida outras vezes neste blog (para saber mais, clique aqui).

A propósito, o presidente Lula, no Fórum de Software Livre, deu uma força aos ativistas que trabalham para que a lei não seja aprovada, ao dizer que “neste governo, é proibido proibir, o que nós fazemos é discutir, (…) esta lei que está aí não visa corrigir abuso de internet, ela, na verdade, quer fazer censura”. (Assista ao discurso do presidente aqui.)

Segue abaixo a íntegra do manifesto.
Para assiná-lo, acesse: http://www.petitiononline.com/mpb/
Mais informações no site do movimento: http://musicaparabaixar.org.br/

Manifesto Movimento Música para Baixar

É a partir do surgimento da democratização da comunicação pela rede cibernética, que a conjuntura na música muda completamente.

Um mundo acabou. Viva o mundo novo!

O que antes era um mercado definido por poucos agentes, detentores do monopólio dos veículos de comunicação, hoje se transformou numa fauna de diversidade cultural enorme, dando oportunidade e riqueza para a música nacional – não só do ponto de vista do artista e produtor(a), como também do usuário(a).

Neste sentido, formamos aqui o movimento Música para Baixar: reunião de artistas, produtores(as), ativistas da rede e usuários(as) da música em defesa da liberdade e da diversidade musical que circula livremente em todos os formatos e na Internet.

Quem baixa música não é pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente projetos musicais.

Temos por finalidade debater e agir na flexibilização das leis da cadeia produtiva, para que estas não só assegurem nossos direitos de autor(a), mas também a difusão livre e democrática da música.

O MPB afirma que a prática do “jabá” nos veículos de comunicação é um dos principais responsáveis pela invisibilidade da grande maioria dos artistas. Por isso, defendemos a criminalização do “jabá” em nome da diversidade cultural.

O MPB irá resistir a qualquer atitude repressiva de controle da Internet e às ameaças contra as liberdades civis que impedem inovações. A rede é a única ferramenta disponível que realmente possibilita a democratização do acesso à comunicação e ao conhecimento, elementos indispensáveis à diversidade de pensamento.

Novos tempos necessitam de novos valores. Temas como economia solidária, flexibilização do direito autoral, software livre, cultura digital, comunicação comunitária e colaborativa são aspectos fundamentais para a criação de possibilidades de uma nova realidade a quem cria, produz e usa música.

O MPB irá promover debates e ações que permitam aos agentes desse processo, de uma forma mais ampla e participativa, tornarem-se criadores(as) e gestores(as) do futuro da música.

O futuro da música está em nossas mãos. Este é o manifesto do movimento Música Para Baixar.

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19 - julho - 2009 at 16:14 4 comentários

Pobre Maranhão

Este post é uma contribuição da Pâmela Pinto, jornalista maranhense que está em Niterói para fazer mestrado na UFF.

Pâmela Pinto

Para quem tem acompanhado as constantes chamadas nos telejornais sobre a crise política vivenciada no Maranhão, seguem algumas explicações. Nas eleições de 2006, foi iniciado o processo de superação da hegemonia da Oligarquia Sarney frente ao Maranhão com a vitória do pedetista Jackson Lago na disputa pelo governo do estado, com 1.393.754 votos válidos (51,82%) contra 1.295.880 votos de Roseana (48,18%). Em dezembro do mesmo ano, Roseana se afiliou ao PMDB, articulação que garantiria, em março de 2007, sua indicação, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de líder do governo no Senado pelo PMDB.

Entretanto, houve uma reviravolta política no Maranhão, devido à cassação do governador Jackson Lago e do vice-governador Luís Carlos Porto, em 3 de março de 2009, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ato foi uma resposta a uma ação movida pela coligação “Maranhão – A Força do Povo”, da qual Roseana é a líder, acusando o pedetista de abuso de poder econômico e compra de votos durante o pleito de 2006. A corte julgou que a candidata Roseana Sarney, segunda colocada na disputa, assumiria o comando do estado logo após serem encerradas as possibilidades de recurso da defesa de Jackson, fato ocorrido no dia 17 de abril de 2009, quando Roseana foi empossada governadora do Maranhão.

O percurso “próspero” da trajetória política do clã Sarney demonstra que estruturas arcaicas de poder convivem (em aparente harmonia) com as tentativas de renovação democrática após o regime militar.

As conseqüências de 40 anos de dominação política, sem alternância de poder, são evidenciadas pelos índices vigentes no Maranhão, conhecido nacionalmente pelo baixo desempenho econômico e social. De acordo com o IBGE, a população maranhense é composta por 6.118.995 habitantes, dos quais 21,4% com mais de 15 anos são analfabetos – sendo os índices de analfabetismo funcional mais críticos, atingindo 34,8%. A energia elétrica chega a 90,2% dos domicílios; apenas 47% dos maranhenses possuem serviços de telefonia; 8% têm computador em suas residências; 82,3% têm televisão em casa; 72% possuem aparelhos de rádio. Estes dois últimos suportes são plataformas de controle político no estado, pois em sua maioria pertencem a grupos políticos, inclusive à família Sarney, cerceando assim o direito de informação, ou o livre acesso a ela, por parte dos cidadãos.

A sobrevivência da Oligarquia Sarney na política brasileira, mesmo depois do cenário desfavorável no território maranhense, demonstra sua força e articulação nacional: Roseana foi líder do governo no Senado e é atual governadora do Maranhão, o pai é conselheiro do presidente Lula e senador pelo Amapá. Tal resistência foi consolidada ao longo de 40 anos de poder, alternando papéis de oposição e situação, com uma ampla articulação política no âmbito nacional e o domínio político local, reforçado pelo Sistema Mirante de Comunicação, como disse o experiente jornalista Alberto Dines:

– Para abalar Sarney só um tsunami de grandes proporções. Sarney é um poderoso chefão, o capo da mídia brasileira. Além de afiliado da Rede Globo é o queridinho dos demais grupos de mídia eletrônica e dos respectivos coronéis interioranos.

A seguir, uma matéria escrita pelo blogueiro oficial de Roseana, no link http://colunas.imirante.com/decio/
Há coisas que só acontecem no Maranhão…

(mais…)

21 - abril - 2009 at 18:32 2 comentários

Obama, o chinês é que é “o cara”!

Lúcio Mello

Apesar da frase de Barack Obama sobre o Lula ter massageado o ego dos lulistas tupiniquins, a política, a exemplo do pôquer, do truco e de outros jogos nem sempre o que se quer é o que se fala, é feita com ditos e não-ditos. Lula é um político com intuição muito boa. Tanto é que capitalizou grande parte do G-20. Ponto pra ele. Mas, em política sempre tem um “mas”, Obama mostrou, naquele momento, porque é presidente dos EUA. Com uma postura de garotão do Havaí, o cara deu um cheque-mate no Lula e neutralizou o Sapo Barbudo, envaidecendo-o.

Político é político, em qualquer lugar. Eles se ligam muito na questão simbólica. Lula é o símbolo da classe trabalhadora. Os que estavam presentes no G-20, excessão ao Obama, são a representação do homens brancos de olhos azuis. Mesmo que eles não queiram ser e mesmo que pensem de forma progressista. É uma questão de imagem e de marketing.

Agora todos querem colar suas imagens ao Lula, por questões de marketing e de momento. Quando oGordon Brown teve no Brasil o Lula foi mais esperto que ele. Ponto pro Lula. O Gordon Brown ficou mal com a história dos brancos de olhos azuis. O Lula foi muito esperto ali. Afinal interessa ao G-7 mostrar o Lula como um personagem importante. Até porque o G-20 fui uma grande sacada: inclui mais alguns países (o Brasil por exemplo) e continua sobre a liderança dos mesmos (EUA e aliados). Mas um dia essa onda passa. Em pol´tica tudo passa.

Sim, Lula é um líder com carisma, aprovação. Mais que isto. Pro G-7 ele é o símbolo de um terceiro mundo que interessa: calmo, conciliador, e que paga 20% ao ano para especuladores e não faz auditoria da dívida externa.

Apesar de FHC estar morrendo de inveja do Sapo Barbudo, o que Obama não disse, e aí que a porca torce o rabo, é que o verdadeiro cara esta mais pro oriente. É o premiê da China. Ele e mais de um bilhão e meio de “caras”: os chineses! A verdade é que, estruturalmente, a única coisa relevante nos últimos vinte anos é a ascensão da China e sua centralidade no comércio internacional. Isto não foi dito. E política também se faz com o não dito.

Crise? Na China? É.. em vez de crescerem 10% ao ano, crescerão 6%. já são a quarta economia do mundo. Em breve serão a terceira, se já não o são. O mais importante: Els tem espaço para crescer, assim como os BRICS que antes eram as economias baleias, quando os tigres asiáticos estavam na moda. Tudo é moda. O Brasil tá na moda, mas os Chineses não vai sair da moda tão cedo.

Vocês perceberam que o governo chinês (e o indiano também) entrou quieto e saiu mudo? Este chineses são muito piores que os matutos, os “come quieto”. Enquanto o Brasil é garganta em sua política externa e os americanos pragmáticos, os chineses são os verdadeiros donos do mundo agora e não falam. Eles fazem!

Depois, o Brasil não está tão bem assim. Crise no Japão é o que a gente chama de crescimento e prosperidade. Além disso, o Brasil continua uma economia periférica, fornecedora de matérias primas e produtos de baixo valor agregado, baixa tecnologia e mão-de-obra barata.

Não dá pra negar que o candidato a membro permanente do Conselho de Segurança da ONU pela América do Sul (como se candidata o Brasil) conta com problemas estruturais de concentração de renda e, sobretudo, de poder. Este sproblemas vão explidir. Pode ser até que, desde a redemocratização, a concentração esteja diminuindo, mas é um dos países mais injustos ainda e a estrutura social não foi alterada em sua essência. Sem alteras esta estrutura não há solução reofrmista e bolsa família que resolva.

O Brasil tem sérios problemas em areas como saúde e educação. Questões como a tributária, a estrutura do o judiciário, a corrupção vão em breve, vir a tona. Um país com tantas favelas não pode ser considerado desenvolvido. Basta uma forte crise interna, (pois agora dívida brasileira é interna e sua dinâmica interna é que vai dizer o seu papel no mundo) e as coisas sólidas se desmancham no ar.

ouso indagar se em breve não voltaremos para a periferia econômica. Pois afinal o que garante riqueza? A meu ver agregar valor e controlar as cadeias de produção e de comercialização. Os EUA controlam a comercialização e a agregação de valor (cinema, internet, marketing, etc). A China controla a produção. E nós? As matérias primas e alimentos… hummm sim.. mas dependemos destes outros fatores que não controlamos. Temos agregado valor? Humm .. acho que não …

Já falamos inglês,para o comércio. Agora, além do alemão, pra aprendermos a filosofar, precisamos estudar chinês, para fazer fábricas. Lula, abre o olho! Os chineses vêm aí! E apesar do olho puxado, eles estão de olhos bem abertos.

3 - abril - 2009 at 11:44 2 comentários

Chegada da escola

Olívia Bandeira de Melo

Um dia ele chegou da escola e disse:
– Mamãe, quero desenhar o sistema solar e os planetas.
No dia seguinte, quis mostrar uma dança nova que aprendera:
– Creeeeeu, creeeeeu, creeeeeeeu.
No terceiro dia, perguntou quem era o prefeito de Niterói. E completou:
– Se o Lula é presidente do Brasil, por que não pode ser também presidente de Niterói? Ele é presidente só dos homens ou também dos animais?
A escola é mesmo um lugar fascinante.

9 - maio - 2008 at 15:44 1 comentário


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