Posts tagged ‘nordeste’

Tem programa pro fim de semana?

Olívia Bandeira de Melo

fagner

A Feira de São Cristóvão, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, realiza um evento neste fim de semana para arrecadar alimentos, água potável e roupas que serão enviados para os desabrigados pelas chuvas do Norte e Nordeste do Brasil.

Programação:
23/05, sábado, às 23h: apresentações de artistas como César Nascimento, Marcus Lucenna & Forró Forrado, Caraforró, Tribo de Gonzaga

24/05, domingo, às 17h: show de Raimundo Fagner

A entrada para a feira custa R$ 1.
Endereço: Campo de São Cristóvão, sem número, Rio de Janeiro (RJ) Informações: (21) 22930095 (Administração do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas)

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23 - maio - 2009 at 21:22 Deixe um comentário

Fascismo na TV

Lucas Bandeira

Domingo é um dia depressivo para muitos de nós, trabalhadores do meu Brasil. Mas algumas coincidências podem tornar esse dia ainda mais melancólico, como ligar a TV no momento em que um apresentador esquisito começa um quadro chamado “De volta para minha casa”. Para quem não sabe, nesse quadro Gugu Liberato vai à casa de algum “migrante” que “não deu certo” na cidade grande para levar a família dessa pessoa de volta para a região em que nasceu, quase sempre no nordeste. A mensagem é clara: “Nordestinos, voltem para casa, aqui não é o seu lugar, vocês são responsáveis por fazer nossa bela São Paulo ter lixo, congestionamento, desemprego.”

É o mais perto que a TV brasileira chegou até hoje do fascismo, comparável apenas ao pastor Silas Malafaia argumentando (por falta de uma palavra mais apropriada, uso “argumentar”) que o homossexualismo é uma doença.

Segundo o Houaiss, fascismo é:

1 movimento político e filosófico ou regime (como o estabelecido por Benito Mussolini na Itália, em 1922), que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador.

Se acrescentarmos aqui “naturalidade e sexualidade” aos termos “nação e raça” e pensarmos que a TV tem uma penetração no imaginário muito maior que o governo, podemos ver o caráter fascista desse quadro.

Não acho necessário começar a falar de quantos nordestinos que conheço que deram certo aqui (um colega que morou nos primeiros anos num restaurante em que trabalhava e agora tem pós-graduação; um migrante do interior de Minas que veio sem um tostão e conseguiu que todas as suas filhas tivessem faculdade, etc.). Na minha opinião, o mais importante é ver como as redes abertas fazem o que quiserem com o canal que o governo lhes concede, usando o pathos (palavrinha grega para emoção, comoção) do espectador contra o próprio espectador.

Quem quiser, pode buscar “De volta para minha terra SBT” no Youtube para ver belas cenas, como o caminhão do Gugu levando eletrodomésticos (de patrocinadores) para casas de dois cômodos no interior da Paraíba ou de Pernambuco ou do Ceará, em que não temos certeza de que há nem luz elétrica…


30 - março - 2009 at 9:52 43 comentários

Circo Paloma 2: Luzia

Marcelo Valle

Foto:Marcelo Valle

Foto:Marcelo Valle

Luzia chorou como nunca havia chorado, chegou a molhar os pés. Sentia a falta de Juvenal, o mágico, o malandro. Aquele corpo embalsamado não lhe bastava, seco. Foi Juvenal quem encontrou Luzia, frouxa, trouxa na estrada. Ela aos tropeços, menina ainda, com seus 12 anos, sozinha. Restava ainda um resto de resto, de verde nos seus olhos. Carrega consigo impressa lá no fundo dos olhos a lembrança das cores saindo do pó. Sem forma, apenas cores se aproximando numa nuvem de poeira. Ele era a cor mais forte, vinha na frente, vermelho opaco, Juvenal. A última imagem. O que restava de verde vazou de seus olhos, misturaram-se as cores.

A seca era grande, a maior de todas. Secou esperanças, açudes e lembranças. Luzia esqueceu como se caminha. Lembrava apenas do caminho, mas faltava a luz, a cor. O Vermelho Opaco a conduzia, fora adotada como parte da trupe, das cores do circo.

Ele estendia uma corda no chão, fazia e refazia os caminhos. Luzia aos poucos reaprendera a andar sobre a corda. Somente sobre a corda. Um dia Juvenal amarrou a corda entre duas algarobas, bem esticada, longe do chão. Luzia caminhou confiante, e desde então, tornara-se a equilibrista Esperança.

A esperança na corda bamba já não é mais novidade.

26 - março - 2009 at 12:30 8 comentários


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