Posts tagged ‘teatro’

Mc Donald

Gustavo Monteiro

julia-159
McDonald tá com nada
McDonald vai fechar
McDonald tá com nada
McDonald vai fechar
McDonald não tem pamonha
McDonald não tem curau
McDonald não tem cuzcuz
Credo em cruz
Credo em cruz
Credo em cruz
Credo em cruz

Seja bem natural
Desfrutar da poesia
Deleitar nossos valores
Nossa terra tem primores
Dia e noite, noite e dia

E tem tem tem
E se plantando tudo dá
McDonald indo embora
Leva junto a coca cola
E vivam as nossas cajuínas

Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas
Vivam as nossas cajuínas

Esse é o Mc Donalds segundo a maravilhosa Cia. Carroça de Mamulengos, que fará sua última apresentação hoje no Teatro Nelson Rodrigues (Caixa Cultural), às 16h. O espetáculo, que é uma grande brincadeira, reúne números de circo e muita música popular, protagonizados pela incrível família Gomide. Segundo eles mesmos se definem, “o grupo trabalha há mais de 30 anos pela preservação dos elementos que caracterizam as festas e folguedos brasileiros, apresentando espetáculos elaborados a partir de vivências profundas com mestres e brincantes tradicionais de diversas regiões do país”. Levem seus filhos. É emocionante.

Serviço
Histórias de Teatro e de Circo
Teatro Nelson Rodrigues – Av. Chile, 230 – Centro (Rio)
Última apresentação: 12/04
Horário: 16h
Ingresso: R$ 10
http://www.carrocademamulengos.com.br

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12 - abril - 2009 at 11:50 4 comentários

O que há de errado na platéia?

Olívia Bandeira de Melo

O telão da direita mostra uma sala de teatro com poltronas vermelhas, poucas delas ocupadas por comportados espectadores. No lado esquerdo, outro telão mostra o que parece um bar, onde homens de terno ou camisa social e mulheres de preto circulam, se juntam, riem, voltam a se sentar e bebem cerveja. No primeiro telão, uma moça de vestido cinza anota alguma coisa num caderninho azul. Um homem ao lado dela comenta, em português: “Olha como as pessoas são felizes em Londres!”, referindo-se à imagem que aparece no telão da esquerda.

Atrás dos telões, um homem e uma mulher estão sentados numa mesa. No palco, as luzes estão apagadas. Eles são atores, a princípio não começaram a atuar, mas a peça já começou. Ela acontece nos telões, o da direita mostra a sala de teatro do Oi Futuro, no Rio de Janeiro, o da esquerda mostra o Soho Theather Bar, em Londres, e nós, a platéia londrina e a carioca, incluindo eu, de vestido cinza e caderninho azul, somos parte dela.

A moça atrás de mim dá tchau no telão brasileiro. Um grupo sentado na mesa do fundo do bar responde com acenos no telão inglês. Ela teve a mesma idéia que passou pela minha cabeça quando recebi o convite para ver a peça: se tivesse tido tempo, poderia ter convidado minha amiga Andréa, que mora em Londres e é colaboradora-fundadora deste blog, para participar da peça comigo, eu no Oi Futuro e ela no Soho Bar.

19h. A porta do teatro brasileiro se fecha. Os produtores já tinham avisado que a peça começaria na hora, pois “os britânicos são pontuais” e, como a peça acontece no Rio e em Londres ao mesmo tempo, a pontualidade britânica seria a chave do sincronismo. Pura ilusão dos produtores. A peça havia começado dez minutos atrás.

Os telões alternam imagens dos atores nos palcos inglês e brasileiro e imagens das platéias. De repente, um inglês da platéia coloca uma cartaz em frente à câmera com os dizeres “Hello, Tania Grillo, tudo bem?”. A fria platéia carioca intimida Tania Grillo, que está atrás de mim, e ela não consegue responder. A peça prossegue.

What´s wrong with the world? faz parte do projeto ://Play_on_Earth_series, realizado pelas companhias teatrais Phila7 (com sede física no Brasil) e Station House Opera (com sede física na Inglaterra). Vale a pena participar dessa experiência, sem acreditar, como diz a diretora do Oi Futuro, que “tentar propor novas relações palco/platéia, novas formas dramatúrgicas e novos diálogos com o que acontece no mundo é o que se espera do teatro do século XXI”. Espera-se isso também, mas não é a tecnologia em si e nem só ela que dará novos contornos ao teatro.

Em certo momento, um dos atores brasileiros explica sua função nessa experiência que é, acima de tudo, tecnológica, de como a tecnologia reconfigura noções de tempo e espaço: “A minha função nesse momento – se é que o momento existe – é entretê-los. Fazê-los confundir os fatos, se é que os fatos existem”. Mas a platéia brasileira não entrou na viagem. Ao fim do espetáculo, o telão brasileiro exibia bater de palmas constrangidos, em contraste com os gritos e aplausos do telão londrino.

A platéia brasileira constrangeu minha experiência, assim como a de Tania Grillo. Saio da sala, mas Tania continua lá, na platéia vazia, e agora sim toma coragem, joga beijos, pula e dá tchau para seus amigos londrinos.

P.E. (pequenas epifanias): Depois do teatro, quando chegava ao Largo do Machado para pegar um ônibus para Niterói, avistei o 996, ao longe, se preparando para sair do ponto. Corri como uma maluca e consegui entrar no veículo lotado. Qual não foi minha surpresa ao encontrar minha amiga Andressa, que também escreverá nesse blog, sentadinha no chão do ônibus. Ela me revelou: “Já tinha chegado no ponto há muito tempo, perdi o primeiro ônibus que passou e pensei que foi o destino, o ônibus que perdi iria explodir ou eu encontraria alguém no segundo ônibus”. Resultado, uma ótima conversa, que continuou na minha casa, até as onze da noite.

26 - abril - 2008 at 14:43 12 comentários


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