Posts tagged ‘Tecnologia’

Um, dois, três… testando!

Gisele Maia
Momento metablogagem: acabo de testar o novo recurso do wordpress, a postagem por e-mail, ou celular. Basta ir no painel, clicar em “meus blogs”, ativar o “post by e-mail” e um código-endereço é gerado. Ótimo brinquedinho pra quem não pode acessar certas páginas do trabalho, dá pra mandar tudo pelo e-mail profissional e o chefe nem vai ver. Dá pra postar fotos também, elas são automaticamente transformadas em tumbnails. Se tiver mais de uma, o wordpress cria uma galeria. Não é sensacional?

Só não dá pra inserir tag ou selecionar categoria. Seria demais.

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14 - maio - 2009 at 4:20 5 comentários

Apresentando Teo

 

Lucas Bandeira

Em agosto do ano passado, surgiu aqui em casa um gato. Dei a ele o nome de Teodoro, que ele parece gostar muito. Teo tem hábitos estranhos. Só dorme ouvindo Bartok, ou se leio para ele O gato por dentro. Demonstra especial prazer quando leio para ele que o relacionamento do autor com gatos o livrou de uma ignorância mortal, absoluta. Quando leio essa passagem, ele parece rir, não como o gato da Alice do livro, mas estremece o corpo, como se segurasse uma sonora gargalhada. Entre suas manias encontra-se a de roubar o controle remoto quando o pessoal de casa tenta ligar a televisão e a de dar aquela estranha risada quando vê um passarinho azul na tela do computador em que agora escrevo estas mal traçadas.

Coerente como só os gatos e os alemães podem ser, hoje, talvez cansado de me ver teclando e teclando, ele derrubou um livro que estava há dias aqui na mesinha de cabeceira e abriu na página 19. Colocou sua pata em cima da página, me deixando ler apenas as duas últimas linhas: “Antes, quando ainda havia algo como a difamada e já quase saudosa separação burguesa entre profissão e”, então tirou a pata e me permitiu virar a página: “vida privada, seria visto com desconfiança, como um intruso sem maneiras, quem perseguisse metas na vida privada. Hoje é visto como arrogante, estranho e impertinente aquele que se envolve em coisas privadas sem exibir orientação para uma meta”. Tentei parar de ler para escrever meus 140 caracteres, mas ele insistia, pulando em cima do teclado. Depois de passear por olkjiohyuhgftrdfeszwq\aaXHBJNJNJKLNLK, pisou em ENTER, e lá foi minha mensagem – ou a dele – para o mundo. Então fui obrigado a ler o resto daquele raciocínio, o mais claro que um felino pode ter. Talvez Teo esteja certo, e a meta estaria mais perto se eu escrevesse que ele dorme ouvindo Ivete, assim mesmo, sem o sobrenome, e não Bartok.

13 - abril - 2009 at 23:35 13 comentários

Guernica 3D – Picasso na era digital

Lucas Bandeira

Estamos acostumados a adaptações de romances para o cinema, de peças para a ópera, até de exposições para suítes musicais (como a maravilhosa Pictures at an exhibition, de Modest Mussorgsky, em que o compositor simula um passeio pela exposição de Viktor Hartmann; aqui, por exemplo, as “Catacombes“).

Nesses casos, é claro, quando muda o suporte ou “a arte”, é criada uma nova obra de arte. Mas e quando uma especialista em computação gráfica nos permite caminhar entre as figuras destroçadas de Guernica, painel de Pablo Picasso “sobre” (entre diversas aspas) o bombardeio à cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola?

Primeiro, vamos ao vídeo, produzido em 2008, em que passeamos pela representação em três dimensões do quadro, produzida por Lena Gieseke:

Primeiro, é inegável, mesmo para quem é purista, que o efeito é incrível, a imersão na obra é deliciosa e angustiante. Mas também é muito infiel à obra, sem no entanto abandoná-la por um momento. É infiel porque acaba com o grande efeito do painel, que é a simultaneidade. Picasso nos mostra ao mesmo tempo os fantasmas e destroços da humanidade produzidos pela guerra. Na reprodução 3D, o que salta são os detalhes, o olhar desesperado, uma forma monstruosa, não a totalidade.

A própria autora (ou artista) da representação pergunta se é uma nova obra ou apenas uma maneira de explorar a Guernica, e eu não consigo outra resposta a não ser: é e não é uma nova obra. Com a palavra, Gieseke:

Meu modelo é uma reconstrução verdadeira da pintura de Picasso, ou apenas uma revisualização grosseira? Ainda é a arte de Picasso ou, pela minha adição da terceira dimensão, tornou-se algo completamente diferente? Não é meu papel responder a essas questões nem determinar a relação entre minha reprodução tridimensional e a pintura original.

Arte ou não, seu valor começa ao aproximar a tecnologia da arte, sem didatismo, hermetismo ou euforia.

9 - fevereiro - 2009 at 12:18 5 comentários

O leitor

Anônimo

Sou o leitor perpétuo. Uma máquina de leitura e comentário, de leitura e de cliques e de teclas. Para mim não há barreiras, idioma, cultura, assunto, absorvo qualquer coisa. E a cada tela sou uma pessoa diferente. Sou apenas o leitor, mas meu nome muda nas caixas de comentários. Assumo várias identidades para argumentar, mostrar que o leitor tem voz, que não é nunca passivo.

Quando falo de literatura, me visto de Leitor Voraz. Quando o site é sobre política, sou o Anti-Bush. Também já me travesti de Myrna para fingir que sou um escritor. Não importa que o Leitor Voraz não combine com o Anti-Bush e que o conto da Myrna seja odiado pelo Leitor, que a Myrna, por sua vez, acha pedante. O que importa é que cada nome me dá acesso a outros sites. Um cantor costuma endereçar posts para mim. Começa com “Heitor, tudo bem”. Mas esse Heitor é só mais uma máscara para minha leitura. E eu vou ganhando relevância (alguns me odeiam, outros me adoram, outros adoram um dos meus nomes mas odeiam os outros).

Sou o leitor com autoridade. Sou o leitor mais feliz do mundo. Sou o leitor total. Sou o leitor que aboliu as últimas fronteiras da vergonha da contradição. Sou o leitor infiel.

Em mim, a utopia se realiza: sou a identidade anônima, o poder sem corpo, a certeza de um post que ignora a contradição da história pessoal (eu não sou mais uma pessoa). Sou só mais um grito murmurado.

(Um textinho-cabeça a contragosto, porque aqui não é lugar para isso. Mas foi mais forte que eu. Peço desculpas aos caroços por hackear o blog e incluir esta minha confissão.)

5 - dezembro - 2008 at 11:38 Deixe um comentário


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