Posts tagged ‘Twitter’

Contos para o twitter – Experiência literária em até 140 caracteres

Ele era músico. Ela, revolucionária. “Esqueça, amor, são todos violinistas neste governo. Pegaram com a esquerda, dedilham com a direita”.

Tira-teima: http://twitter.com/lucianagondim

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15 - setembro - 2009 at 13:03 1 comentário

Apresentando Teo

 

Lucas Bandeira

Em agosto do ano passado, surgiu aqui em casa um gato. Dei a ele o nome de Teodoro, que ele parece gostar muito. Teo tem hábitos estranhos. Só dorme ouvindo Bartok, ou se leio para ele O gato por dentro. Demonstra especial prazer quando leio para ele que o relacionamento do autor com gatos o livrou de uma ignorância mortal, absoluta. Quando leio essa passagem, ele parece rir, não como o gato da Alice do livro, mas estremece o corpo, como se segurasse uma sonora gargalhada. Entre suas manias encontra-se a de roubar o controle remoto quando o pessoal de casa tenta ligar a televisão e a de dar aquela estranha risada quando vê um passarinho azul na tela do computador em que agora escrevo estas mal traçadas.

Coerente como só os gatos e os alemães podem ser, hoje, talvez cansado de me ver teclando e teclando, ele derrubou um livro que estava há dias aqui na mesinha de cabeceira e abriu na página 19. Colocou sua pata em cima da página, me deixando ler apenas as duas últimas linhas: “Antes, quando ainda havia algo como a difamada e já quase saudosa separação burguesa entre profissão e”, então tirou a pata e me permitiu virar a página: “vida privada, seria visto com desconfiança, como um intruso sem maneiras, quem perseguisse metas na vida privada. Hoje é visto como arrogante, estranho e impertinente aquele que se envolve em coisas privadas sem exibir orientação para uma meta”. Tentei parar de ler para escrever meus 140 caracteres, mas ele insistia, pulando em cima do teclado. Depois de passear por olkjiohyuhgftrdfeszwq\aaXHBJNJNJKLNLK, pisou em ENTER, e lá foi minha mensagem – ou a dele – para o mundo. Então fui obrigado a ler o resto daquele raciocínio, o mais claro que um felino pode ter. Talvez Teo esteja certo, e a meta estaria mais perto se eu escrevesse que ele dorme ouvindo Ivete, assim mesmo, sem o sobrenome, e não Bartok.

13 - abril - 2009 at 23:35 13 comentários

Duas perguntas a Felipe Schuery

Lucas Bandeira

Duas perguntinhas por email para Felipe Schuery, já que falei abaixo do álbum Data Crônica, lançado apenas na internet.

1 – Como foi a idéia do Data Crônica?

Eu comecei a entrar em parafuso com essa história de overdose de informação e tecnologia quando me toquei que meus amigos tinham parado de comprar CD, os CDs estavam caros e eu não estava familiarizado com download de música. Isso foi em 2004, acho. Fiquei congelado, não comprava mais nada, mas também não baixava. Apareciam duzentas bandas novas por semana e eu lia sobre todas mas não ouvia nenhuma. Comecei a fazer música a partir dessa angústia, mas aos poucos fui aprendendo a curtir esse excesso e a lidar com a ressaca e as sequelas dele. As 14 músicas do disco vão por aí, são croniquetas de uma época regada a informação.

2 – No Lasciva, vocês já usavam MySpace e site, mas agora você decidiu partir para as outras redes sociais (como Twitter, além do blog, que parece a versão prática do que você quis dizer no álbum). Como você vê daqui para a frente a relação entre essa “blogosfera” (na falta de uma palavra melhor) e a produção cultural? Para você, disponibilizar as músicas na internet (que é o outro lado da moeda da pirataria) atrapalha ou ajuda as pessoas que estão começando a fazer música?

É ótimo poder contar com ferramentas que te ligam diretamente ao público. O mesmo no caminho inverso: quem curte acompanha, escolhe que notícias e de quem quer receber, sem intermediários. Consumir o processo (não só o fim) já é fato na geração que nasceu teclando. Ainda não temos um modelo definido de comercialização de música na era digital, mas disponibilizar na internet é tranquilamente a melhor forma para um artista independente divulgar seu trabalho. Você tem o foco, sabe aonde ir, a quem procurar, e acaba atingindo um leque imenso e diversificado de pessoas, o que não aconteceria de forma tão prática e rápida no modelo físico de distribuição. As consequências (shows, merchandising, convite para outros projetos, etc.) da formação desse público e da exposição da obra é que me parece trazer a remuneração financeira pelo trabalho. Não a sua venda em si. Estamos na correnteza, e vamos nessa.

9 - março - 2009 at 13:39 Deixe um comentário


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